domingo, 20 de junho de 2010

SAÚDE, LIBERDADE, SOCIEDADE DROGA de CONSUMISMO

SAÚDE, LIBERDADE, SOCIEDADE e CONSUMISMO
Por Luís Duarte Patrício
Médico Psiquiatra

O valor das palavras
As palavras têm um valor que importa conhecer.

Reconhecendo o valor da palavra, de uma palavra, das palavras, podemos melhorar o nosso conhecimento e a forma de comunicar através da palavra escrita ou falada.

Nada nem ninguém nos impede de poder reflectir e emitir o que elaboramos.

Contudo, na sociedade de consumo, se consumirmos a televisão ou outro ecrã de forma abusiva, fora da justa medida, sem ter a possibilidade de reagir, de interromper, corremos o risco de reduzir bastante o tempo e o espaço para a partilha do pensamento, para o diálogo.

Recusando outras actividades, podemos ficar mais pobres de tempo e de interacção.

A liberdade
Liberdade significa* independência, autonomia.

Liberdade individual significa*, garantia que qualquer cidadão possui de não ser impedido de exercer e usufruir dos seus direitos, excepto em casos previstos por lei.
*Universal. Dicionário Língua Portuguesa. Texto Editores. 2006 (8ª Edição)

Há quanto tempo não consulta um dicionário?
Recorde que pode ser uma boa prenda para oferecer a uma pessoa de quem goste.

A liberdade está ao nosso alcance, embora o uso da liberdade da partilha possa não estar.

A liberdade do pensamento está ao nosso alcance, se a organização do conteúdo puder ser livre.
Com este blog partilho.
Esta forma de partilhar pensamentos e factos, reflexões e noticias, é pois a expressão da possibilidade que temos do uso contemporâneo da liberdade de comunicar.

Uso mau uso e abuso
A contemporânea sociedade consumista, ávida de mudanças, de experiências e de sensações, ávida de dinheiro e de bens materiais, procura impor ao cidadão, procura banalizar o excesso do consumo, o consumismo, como se os recursos fossem inesgotáveis.

Usa-se de forma abusiva, abusa-se de forma compulsiva, como se o uso na justa medida fosse uma atitude aberrante, um desvio à normalidade estatística.

Reconheça-se que em alguns meios consumistas, ser adequado no consumo é uma atitude marginal, mas certamente que não é um desvio à normalidade funcional.

Mesmo para quem não gosta da "normalidade", o facto de existir uma normalidade funcional, o facto de haver pessoas nessa "normalidade", permite que praticantes da "anormalidade", tenham acesso ao que normalmente eles desejam ou necessitam.

Simplificando: a pessoa que não trabalha porque não quer ou a pessoa que chega tarde ao compromisso, à refeição ou ao trabalho, estatisticamente pode estar fora da "normalidade", mas quem lhe garante a subsistência na sociedade é quem funcionalmente está na "normalidade" e lhe faculta os bens necessários ao seu bem estar ou à sua sobrevivência.

O mau uso e abuso de substâncias que modificam o normal funcionamento do Sistema Nervoso Central, tem sido, desde os anos sessenta do século passado, um dos mais impressivos comportamentos humanos, nas sociedades ocidentalizadas e mais abastadas.

Ainda há quem lhes chame droga.

Também há ainda quem as divida em ecológicas e químicas, leves e pesadas, duras e moles, quentes e frias, etc., sem que tal divisão corresponda a algum suporte de rigor técnico, científico.

Há até quem ainda diga e com afincada convicção: álcool, tabaco e droga.

Estou á vontade para fazer este comentário, porque eu próprio fiz, mas no fim dos anos 70, nas sedes de freguesia do Concelho de Portalegre, uma campanha de informação Álcool, Tabaco e Droga.

Outros tempos, outros saberes, outros dizeres e tempos de outra militância.

Mas…
Droga não é o que vulgarmente ainda se pensa, porventura uma coisa estranha e má que vem de fora. É muito mais que isso.
Oportunamente iremos perceber como fomos enganados.

Então, mais tarde diremos: fomos enganados, afinal não há droga!
Saúde: um bem a gerir

No âmbito da saúde, cada cidadão é um gestor, o gestor da sua saúde.Ou melhor dizendo, deveria ser um bom gestor da sua saúde.

Um gestor educado e não apenas informado, ou apenas formado ou diplomado com o contemporâneo e funesto facilitismo.

Cada cidadão, deveria ser um gestor que desde jovem recebeu informação adequada, e que a tem, que recebeu formação adequada e que a tem, e que recebeu ainda a necessária educação para a cidadania e que a pratica.

A saúde é um bem para ser usado de acordo com as necessidades, e na justa medida que não ponha em causa a sua boa qualidade.

No que está ao nosso alcance, pelo modo como nos damos com ela, haverá que a respeitar e estimar. Haverá que defender a saúde e promover o bem-estar. Assim também se promove a Justiça Social.

Cuide-se pela sua saúde. Cuide-se pela sua e nossa cidadania.

Educação, cidadania e saúde

A educação para a cidadania (qualidade) é uma base fundamental na consolidação do saber e na promoção das boas praticas cívicas. O exercício da educação para a cidadania (qualidade), reforça e justifica a auto estima e a estima dos nossos pares, amigos e familiares.
É a evidência de se ser, ou de se não ser, boa vizinhança.

E se uma criança puder compreender o valor que é ser um Cidadão Educado, poderá dizer: quando eu for grande, quero ser como...

Caso contrário, fará como viu fazer, porventura em seguidismo de que foi seu modelo, ou porventura em oposição, fará de forma bem diferente.

Mas…

Se há falta na educação

Mas se numa estrada ou numa rua, vemos condutores com atitudes incríveis, por vezes selvagens, desrespeitadoras de regras de segurança, das regras na velocidade, das prioridades, das regras nos semáforos, nos estacionamentos, que pensar?
Os acidentes, os nossos e os dos outros, não acontecem por acaso. Muitos poderiam ser evitados, se para além da posse da carta de condução, houvesse e fosse praticada a educação para a cidadania.
Condutores de carros discretos ou de carros vistosos, esses condutores são certamente pessoas encartadas, que receberam informação, que passaram no exame de condução por terem revelado conhecimento, a quem foi reconhecida capacidade para conduzir na nossa sociedade. Certamente que não obtiveram a "carta" ou licença de condução por terem oferecido uma lembrança em azeite, como se dizia outrora.
Mas se o seu comportamento não é de qualidade, quer dizer que lhes falta EDUCAÇÃO, educação para a cidadania.
Quer dizer que esse comportamento é o ensinamento que oferecem aos seus filhos, aos jovens que os vêem e aos adultos que os imitam.

Se não estivermos atentos, perdemos a liberdade e a responsabilidade de bem escolher, e seguimos as asneiras dos outros.
Há quem copie comportamentos desajustados e seja seguidista do comportamento mal-educado, atitude dita de "carneiro".

Para prevenir não basta informar e formar: há que educar para a cidadania.

O lixo e a sociedade
Nós, seres HUMANOS, também produzimos lixo.
E actualmente produzimos muito mais, porque consumimos muito mais.
Mas…

Também nas ruas se acumula o lixo que fazemos e lá colocamos, quando estas não são limpas com regularidade.

Também nas ruas se acumula o lixo humano que construímos e consentimos, que alimentamos, que fazemos quando não prevenimos com regularidade.

Onde a ética ambientalista ainda não chegou…
Mandamos o lixo e as fezes para um mesmo sítio.

E às vezes também para lá mandamos as pessoas.
É assim que se fazem guetos, minorias segregadas.
Guetos nas ruas ou nas instituições, em casa ou nas prisões.
E nos guetos, cria-se e desenvolve-se o meio de cultura para mais segregação, para mais marginalidade, doença e sofrimento humano.

E de tal forma é esta produção que a sociedade teve que se organizar em movimentos sanitários, comunitários e ambientalistas, que nos educam, que nos ensinam a reagir a este risco decorrente do consumismo.

E também criou outras respostas como a alternativa à prisão, com o uso da moderna Pulseira Electrónica, certamente mais barata que a admissão e hospedagem na prisão.

Este moderno utensílio parece ser também muito útil na prevenção do convívio intensivo de pessoas não criminosas com criminosos de "profissão" e na prevenção da frequência do local onde vivem esses profissionais do delito que se excluíram ou que a sociedade excluiu.

Voltaremos...

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