quarta-feira, 16 de março de 2016

INTERCÂMBIO PROFISSIONAL INTERNACIONAL, iniciativa de profissionais que trabalham com doentes

INTERCÂMBIO PROFISSIONAL INTERNACIONAL
O Dr Francisco Pascual, co-autor neste livro, é o novo Presidente de Socidrogalcohol Sociedad Científica.

Iniciativas de Profissionais de Saúde
que trabalham com doentes


Desde há muitos anos que construímos a possibilidade de colaborar no intercâmbio com colegas estrangeiros.
Assim aconteceu e continua a acontecer  também com os colegas de Socidrogalcohol Sociedad Científica.

Para diversas edições das Jornadas Nacionales de Socidrogalcohol e para diversas edições da sua Escuela de Otoño, levámos a participar durante muitos anos, ou criámos condições para que participassem, centenas de profissionais portugueses, de todo o país, de instituições públicas e privadas e de diversas áreas profissionais.
Para muitos eventos, até foram convidados dirigentes das administrações, para os ajudar a perceber o que se passava junto de quem trabalhava.

Um dia faremos, certamente com a ajuda de  muitos colegas, a descrição de quem foi, quem fez, onde foi e o que foi feito.

Agradecemos uma vez mais a Socidrogalcohol as facilidades recebidas, convites, inscrições e alojamentos, incluindo publicações, monografias, dezenas de livros que nos foram oferecidos para distribuir por profissionais portugueses.

Durante dezenas de anos, também recebemos em Portugal dezenas de colegas espanhóis, que se associaram às centenas de reuniões de formação e reflexão técnica e cientifica que promovemos no âmbito de instituições e serviços do sector público e privado, incluindo de ONG que criámos.

Todo este intercâmbio com Espanha só foi possível mercê do trabalho pioneiro, acolhimento, compreensão e amizade criada com colegas de Socidrogalcohol, a quem muito agradecemos nas pessoas dos seus directórios, dos seus antigos presidentes, nomeadamente do Dr Miguel Torres, do Prof Júlio Bobes e do recém eleito presidente Dr. Francisco Pascual. 

Dr Francisco Pascual, novo presidente de Socidrogalcohol Sociedad Científica.

http://revistaindependientes.com/francisco-pascual-es-elegido-nuevo-presidente-de-socidrogalcohol/

E porque faz parte da história, há que recordar que, com Socidrogalcohol e com outras congéneres de outros países europeus, criámos com a brilhante realidade que foi a Associação Nacional de Intervenientes em Toxicodependência e no sonho da construção da Europa Social, a Federação Europeia de Associações de Intervenientes em Toxicodependência, também já inexistente.

Com esta estrutura não governamental também foram mobilizados muitos  profissionais portugueses, algumas centenas, para participarem em formação e intercâmbio no estrangeiro.

De colegas de Espanha e de outros países, continuamos a receber provas de amizade e lealdade que sempre agradecemos.

Também a pioneira Associação T3E, desde o inicio da década de 90, tem sido  promotora de importante intercâmbio de profissionais de Portugal com outros países, nomeadamente da Europa.
Apesar da ausência de apoios oficiais, alguma actividade ainda continua a ser realizada.


É bem verdade que em Portugal, nas décadas de oitenta e noventa, vivíamos tempos de muita esperança, muitas colaborações, muitos entusiasmos e fidelidades, muita verdade e muita construção.

Neste século os tempos mudaram, as colaborações mudaram, muitos entusiasmos esbateram-se, romperam-se fidelidades, sentimentos inferiores subiram o corredor das vitrinas com o faz de conta, incluindo inverdades e os números para as estatísticas servirem os poderes. Muita construção mudou e muita energia se rejeitou ou perdeu.

Contudo, no mundo de quem trabalha com doentes a ciência continuou a evoluir.

Em Junho próximo, a Associação Portuguesa de Patologia Dual vai realizar em Lisboa o VI congresso internacional http://www.congressopatologiadual.com/ . Este congresso internacional, anunciado desde há um ano, conta também com o estímulo de colegas de Espanha, profissionais pioneiros de outra sociedade cientifica, Sociedad española de Patología Dualhttp://www.patologiadual.es/ .
Ambas as estruturas têm o crédito de serem membros de pleno direito da Associação Mundial de Psiquiatria e membros fundadores da Associação Mundial de Patologia Dual.

Também estas duas associações de profissionais têm contribuído, de modo pioneiro, para a melhoria do conhecimento dos profissionais e para a evolução da qualidade dos cuidados de tratamento aos doentes. 


Este é o caminho, O futuro já começou. 



sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

AS SALAS DE CHUTO QUE TEMOS SÃO UMA "PORCARIA"



AS SALAS DE CONSUMO QUE TEMOS SÃO UMA  "PORCARIA"

Veja o vídeo em

https://www.youtube.com/user/psimedicina
https://youtu.be/afzXc2NJd64

Testemunho de Verdades de quem esteve por dentro de casas de chuto existentes em Portugal.


Estes locais de consumo, locais infectados, são criados e frequentados pelos interessados.


Para muitos cidadãos, estes locais são ignorados, desconhecidos, escondidos ou tolerados. 


Podem fechar umas casas e outras são abertas. Perseguir os consumidores não resolve.

Ajudá-los para fazerem tratamento e recuperação ajuda muito e é o Caminho a fazer por quem tenha competência.

E enquanto essa mudança não surge há que reduzir os riscos a que se sujeita, a que todos estamos sujeitos.

É evidente o mau uso, abuso e desvio de medicamentos, associado a pessoas cujo tratamento está a ser um equívoco ou para quem nem existe tratamento.

Confirma-se o comércio paralelo e sem segurança alguma, para ninguém.


Desde 2001 a lei de Redução de Riscos, permite mudar radicalmente estas situações indignas. Neste âmbito, Sala de consumo asséptico e recatado, nada aconteceu de bom, de útil para os consumidores, para a sociedade. Uma vergonha.


Tem faltado honestidade, dignidade e vontade para mudar esta situação?


Ou será incapacidade ou cumplicidade?


Seja o que for, é intolerável que podendo mudar, havendo necessidade de mudar tudo fique na mesma. 


Tantos anos entorpecidos é demais... 


Pela nossa Saúde... Estas pessoas consomem porque estão doentes. 


Se não têm o tratamento de que necessitam, ou se ainda não o querem, temos que procurar o contacto com estas  pessoas, criar pontes e não criar mais exclusão e mais patologias.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

ACONTECE.. Droga Para que se Saiba




ACONTECE… Droga Para que se Saiba
Tem acontecido, desde há muitos anos responder a entrevistas por convite de profissionais da informação. Desde há alguns anos, por critérios editoriais o resultado por vezes é diferente do esperado, seja em tv, revistas ou jornais.
Ontem aconteceu em tv.

Há 3 semanas aconteceu com um jornal de dimensão nacional.
Para que se saiba aqui deixo minhas repostas que enviei por escrito

Resposta

Nas realidades que conheço, nas áreas da Prevenção / Educação, do Tratamento, da Redução de Riscos e da Recuperação, e da formação/actualização, manifestamente tem havido regressão, significativas perdas desde há mais de 10 anos. Há grandes assimetrias na qualidade e enormes disparidades entre o que se diz que se faz e o que se faz.
Cito alguns insucessos:
  • A ausência de saber do consumidor sobre bebidas com álcool, ou a insuficiência da informação ao consumidor. E ainda a banalização da bebedeira, com o sucesso do consumo juvenil abusivo de álcool,  temporariamente com fidelização legal dos 16 aos 18 anos;
  • A banalização do consumo de cannabis ilegal, no espaço público, comercial, lúdico e escolar;
  • A banalização do consumo de cocaína  e base, em diversos meios sociais, para além do consumo escondido;
  • A banalização do consumo  de substancias sintéticas,  md / mdma e outras similares ou não, incluindo os recentes 3 anos libertários de comercio e consumo de substancias sintéticas desconhecidas;
  • O alargamento de consumo de GHB;
  • As recaídas em heroína, cocaína, sedativos álcool em doentes insuficientemente tratados com metadona ou buprenorfina;
  • A assimetria e importantes carências de tratamento de pessoas doentes com outra patologia psiquiátrica associada  à patologia adictiva - Patologia Dual;
  • O mau uso e o desvio de medicamentos;
  • A mantida ausência de algumas respostas para redução de riscos, necessárias, identificadas e que têm enquadramento  previstas na lei desde 2001;
  • Dificuldades reais em processos de reinserção / recuperação.



Resposta
A informação adequada às verdadeiras necessidades da população é um direito dos cidadãos e pode ser uma boa ajuda, nomeadamente para quem sofre de doença. de dúvidas ou de ignorância.

Resposta
Dispondo de pessoas com competência, justificam-se. Se for apenas para dizer que existem não fazem falta. O que faz a qualidade das respostas, das organizações, são as pessoas que lá trabalham, a sua qualidade, entrega e competência.

Resposta
 Melhorar, mudar para melhor.
Responder permanecente às necessidades das pessoas e não para o agrado dos políticos que por uns tempos, gerem os destinos das respostas preventivas, terapêuticas ou sociais de uma determinada população.
Alguns ou muitos políticos envaideceram  com os ecos estrangeiros da descriminalização e adormeceram face à realidade do nosso dia-a-dia. À assimetria de qualidade, seguiu-se o próprio desinvestimento de trabalhadores,  que não foi alheio ao assédio moral, uma realidade também na saúde em Portugal: criar condições para que as pessoas deixem os serviços. Uma realidade de que se não falou nem se fala... até por medo. 

Descentralizar a gestão e dar mais capacidades à intervenção local, às políticas locais.
É em cada local que se conhecem as necessidades e possibilidades de intervenção.

Se falarmos em dependência sem substâncias ou adições sociais, a situação da prevenção e tratamento ainda é muito frágil, proporcionalmente inversa à enorme dimensão de comportamentos de risco - verdades ocultas.

Mas há quem se revele muito satisfeito, como me disse há cerca de 3 anos o político responsável por esta área:  " ... estou muito satisfeito com a minha equipa". Assim aconteceu e ouvi para meu espanto.



quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

Carta aberta ao meu Pai

Mudar e muito, é Possível. 



Carta aberta ao meu Pai, em Dezembro 15

Pai,

Tenho pensado muito em ti ultimamente…

Em ti, em nós…nós os dois, na família, na Mãe, na Géninha …em nós. Tenho ido ao baú para ver fotos antigas. Fotos onde tu apareces. A cantar o fado (como não podia deixar de ser…), a passear em família, nas festas com os teus amigos, enfim, a fazeres o que gostavas (meu Deus, como ainda me custa escrever no passado!).

Tenho pensado muito em ti ultimamente…

Em ti, em nós…nos teus cabelos grisalhos, na tua voz com aquela tez grave, no teu cheiro a after shave pela manhã, no teu caracter forte, impulsivo, na tua genica, na tua alegria, nas tuas convicções, em tudo! Tenho pensado em tudo. Lembro-me de quando me dizias quando eu ainda era um puto e não me portava bem: “Filho és, pai serás…um dia vais-te lembrar de mim e das minhas palavras…filho és, pai serás…”. Eu abanava positivamente a minha cabeça, mas na realidade não percebia muito bem essa história do “Filho és, pai serás.”…

Tenho pensado muito em ti ultimamente…

É que sinto tanta tristeza por não estares ainda cá. Sinto tanta solidão sempre que vejo um filho relacionar-se com o pai, sinto e penso “Também quero o meu Pai cá!”. Sinto que foste mas não foste descansado e ainda ias preocupado, ainda ias lamentado…e sinto que foi por minha causa. Foi por minha causa que a tua doença piorou…pensas que não sei?! Não foi a origem, mas com certeza provocou um acelerar grande do processo…

Hoje que sou Pai compreendo como deve ser duro ver um filho nas condições em que me viste…como deve ter sido dura a nossa primeira conversa em família acerca do meu “problema”! Ainda me lembro onde foi. Na praia em Peniche. Estava eu, tu e a Mãe dentro do carro. Fomos ver um pôr-do-sol…e eu estraguei a festa…como dantes, como sempre…

Como deve ter sido dura a nossa primeira consulta com o Dr, como deve ter sido implacável veres-me a ressacar de heroína…como deve ter sido duro as vezes que fugi de casa (não havia telemóveis na altura…), como deve ter sido duro veres marcas de seringa nos meus braços, nas minhas mãos, no meu pescoço…como deve ter sido duro veres-me a ressacar forte e feio! Uma vez estava a ressacar tanto ao pé de ti que dei um espirro…e borrei-me todo!

É impossível um Pai não pensar “Meu Deus, mas onde falhei?!”. É impossível não ser violento para a cabeça de um progenitor.

Tenho pensado muito em ti ultimamente…

Eu já tinha saído da clinica, mas via-se perfeitamente que não estava maturado, não estava preparado, precisava de ajuda, clarividência, orientação.

Queria que soubesses que está tudo bem comigo Pai. Que soubesses que tenho um filho lindo, uma mulher que verdadeiramente me salvou de morrer, que deu tudo por mim e deu resultado sabes? Ela transformou-me, fez de mim um homem melhor, preocupado com a família e não consigo próprio, com o seu umbigo. Mostrou-me que amar é dar…Dar sem esperar, sem exigir.
Sim, porque sem esta orientação eu acho que não tinha chegado lá. Tinha o corpo limpo, mas a cabeça não…tinha o corpo limpo, mas a cabeça vazia, sem ideias, sem intenções, sem sonhos, sem nada! Só com esqueletos negros e ar, muito ar. Correntes de ar e esqueletos negros…muitas! Muitos!

Tenho pensado muito em ti ultimamente…

Queria que soubesses que a minha vida profissional está bem, que deixei de fumar, que passei a fazer exercício físico com frequência, que tudo isso me faz tão bem à minha alma. Queria que soubesses que o meu filho também se chama João, como tu! Que tem os teus jeitos, os teus trejeitos, que visto de trás é parecido contigo, tem o teu andar malandro e de marialva…Pai! Também é impulsivo, sensível, brincalhão e gozão…como tu!

Ver-te no cemitério não me chega…estás tão perto, mas também tão longe! É tão estranho ver uma foto tua no cemitério, tão estranho…ainda mais quando a foto era a cores e com o passar dos anos fica a preto e branco…simbólico no mínimo.

Tenho pensado muito em ti ultimamente…

Ultimamente tenho sentido mais tudo isto, pois lamento muito que só tenhas visto a 1ª parte deste filme. A 2ª parte tem sido muito mais serena, muito mais calma e tu merecias estar cá, merecias ter visto depois a 2ª parte. Penso que não foste descansado, não foste totalmente descansado e todos os dias penso numa maneira de te dizer, de chegar a ti, de te informar que está tudo bem Pai.

Pai, está tudo bem…está tudo bem.

Obrigado "Paulo" por esta partilha de autenticidade e exemplo. 
Boas Festas para as famílias dos Paulos e das Paulas.

quarta-feira, 4 de novembro de 2015

Liberdade para aprender

Reprimir reverte para muitos. Aprender serve para todos.

Liberdade para aprender, é um movimento pode levar a muitas pessoas conhecimentos úteis para a sua saúde e seu bem-estar.

Se usar a sua liberdade para ler e partilhar, contribui para a difusão do pensamento livre, criativo, e não oficial.


Em Portugal muitos cidadãos estão sujeitos a uma significativa pressão de estímulos para o consumismo.

O álcool é a substância psicoactiva cujo mau uso em Portugal mais danos provoca no consumidor, na família, no meio laboral, na estrada, na comunidade.

O mau uso e abuso de álcool, nomeadamente entre jovens, crescente e despudorado desde o início deste século, é prova das carências preventivas e da necessidade de irmos mais longe para as remover.

Que conhecimento? Que relação?

Qual o saber do consumidor sobre a relação que, sem dano, se pode criar com as bebidas com álcool?

Pergunte a um amigo, a um profissional de saúde, quais são as recomendações para o consumo de álcool?

Moderação?
Moderadamente? 


Moderado ou muito moderado ou até inexistente em muitas pessoas, tem sido o conhecimento partilhado sobre Educação e consumo de bebidas com álcool.

Moderado ou muito moderado ou até inexistente em muitas pessoas, tem sido o conhecimento partilhado sobre as inverdades associadas ao consumo de bebidas com álcool.

E, com frequência, a responsabilidade ou culpa pela ausência do conhecimento e pelos danos decorrentes do maus uso é sobretudo ou em exclusividade ... do consumidor ignorante. 

O conhecimento que temos ou que não temos resulta do que foi feito.

É preciso mudar: não chega a boa vontade. É preciso estimular o conhecimento, partilhar o saber, para que cada cidadão beneficie de mais responsabilidade.

Reprimir reverte para muitos. Aprender serve para todos.

Obrigado pela visita

https://www.facebook.com/maladaprevencao.drluispatricio/

Visite e partilhe sff            

sábado, 3 de outubro de 2015

DROGA em PORTUGAL? O que se disse e diz "lá fora", o que temos e o que temos que mudar

DROGA em PORTUGAL
 A Prevenção, Tratamento, Recuperação
Redução de Riscos que temos
o que se disse "lá fora
2009

2011

Cada cidadão fará a sua leitura. 

Mas a situação que vivemos

decorre da Prevenção e Educação,

da autenticidade que temos vivido

nos anos precedentes


Depois de grandes e notáveis mudanças,
vieram outras mudanças, também na autenticidade.

E mesmo que haja poderes (temporários) que se revelem satisfeitos, 
quem trabalha (permanentemente) no terreno
sabe bem a autenticidade do que se faz constar,
para o bem e para o menos bem



Este texto está adaptado da entrevista ao jornal Açoriano Oriental de 15 de Junho 2015
Para se falar a verdade toda sobre a Prevenção temos que conhecer a formação dos agentes de prevenção, saber quantos estão capacitados, a sua competência técnica e pedagógica para intervir com crianças, adolescentes, adultos e consumidores. Há profissionais esforçados com conhecimento e prática, e também há desequilíbrios e assimetrias na qualidade. Qual é a verdade na selecção a nível local, regional, nacional e internacional? Os assessores e colaboradores são pagos pela competência técnica ou por conveniência politica?
A sedução para o consumo abusivo é enorme e a pedagogia para o consumo é quase inexistente. A proporção da oferta e uso de álcool é inversa da prevenção do mau uso. Quem está satisfeito com a recomendação “consumir com moderação”? O que é isso?
E se antes dos 18 anos o consumo de álcool não se recomenda por motivos de saúde, porque existiu em Portugal quase durante 3 anos a lei que protegia a venda de cerveja e vinho a maiores de 16? Que resultou desta lei e quantos consumidores se fidelizaram? Empurrar o mau uso para a cultura e acusar quem vende fora da lei, é negar que falta responsabilidade e Educação para a saúde.
Em Portugal iniciou-se há mais de 10 anos o abuso público de álcool, também por menores de idade. Vivida como modernidade e até promovida com o apoio de autoridades, esta moda chegou depois de ter acontecido em Espanha. Não soubemos, não pudemos ou não quisemos prevenir?
São largos milhares os consumos de risco em mega festas de Verão, de Inverno, de iniciação, de finalistas, pequenas e grandes, em bares e na rua. São “normais” as intoxicações e intervenções de emergência e graves os danos.
E face ao sucesso no consumo de tabaco ficamos informados lendo a recomendação “Fumar mata” ou vendo imagens de danos?
Para o consumismo de comportamentos de risco, é vantajoso que o consumidor tenha poucos conhecimentos sobre saúde: mais incautos mais consumidores. Quem consome procura algum prazer e até o aliviar algum mal-estar, mas mal informado é melhor manipulado.
Há quem defenda a ideia de que o consumidor é o responsável pelo aparecimento da dependência, e o responsável pela solução do problema. Mas onde estão os ensinamentos e a educação para saber viver na sociedade de ofertas de comportamentos de risco?

No âmbito da redução de riscos após a notável melhoria no início do século, constatam-se perdas na quantidade e assimetrias na qualidade. Continuamos a não dispor de filtros para comprimidos, nem ampolas de naloxona, foi lamentável o desperdício de preservativos e é lamentável que continuemos sem facultar a quem se injecta, locais fixos ou móveis para consumo asséptico, como está previsto na lei desde 2001.



Em Portugal também foi uma vergonha a procura cega de substâncias sintéticas desconhecidas, o acesso a menores de idade e o consumo gerador de tanto sofrimento durante três anos de livre comércio, e ainda o que não se disse sobre este assunto…, agora muitíssimo mais reduzido, mas não resolvido. O md prolifera.



Em Portugal as estruturas da saúde continuam a não reconhecer a existência da especialidade, nem da sub-especialidade nem da competência técnica em patologias aditivas. Existe publicidade e há dezenas de serviços públicos e privados para a “prevenção e tratamento da droga”. Será uma droga de serviço um serviço onde não haja competências técnicas reconhecidas? Se a droga é um engano, assim podemos ser enganados.
E mesmo que o engano tenha origem nas autoridades, não deixa de ser engano. Resta saber se autoridades são ingénuas, engenhosas no uso das verdades e dos números ou, sabedoras e eticamente respeitáveis.
Nos tempos actuais autoridade significa mais o poder de usar o poder, ou a responsabilidade no bom uso do poder?
Recentemente um funcionário europeu disse-me que não havendo especialistas os governos nomeiam peritos. Assim já acontecia antigamente e assim ainda acontece.
O que existe nem sempre é o que se apregoa existir, quer dizer que há truques e pode-se falar a verdade mas a verdade da conveniência e não toda a verdade.
Uma significativa campanha atribui a Portugal o grande sucesso relacionado com a lei da descriminalização do consumo (2001). Nessa época já ninguém era preso por consumir “droga”, há que dizer a verdade. 
Sem por em causa a necessidade de legalizar a descriminalização, nomeadamente para combater o estigma existente em algumas ou inúmeras cabeças que não trabalhavam com doentes, há que reconhecer onde, na realidade,  esteve a grande mudança. Ou melhor dizendo, as grandes mudanças: o alargamento da rede de tratamento, incrementado desde 1987 e a lei de Redução de Riscos (2001) e suas aplicações, 

O sucesso então alcançado na saúde relaciona-se de facto com a melhoria do aceso ao tratamento, com acções decorrentes da lei da redução de riscos (2001), intervenções na exclusão social, apoio psicossocial, programas de troca de seringas, programas de metadona em baixo limiar, despiste de patologias associadas e encaminhamento para tratamento. 
Foi este o sucesso
Mas infelizmente a assimetria na qualidade dos serviços prestados tornou-se uma realidade...
No âmbito dos tratamentos há realidades que são razões para preocupação.
·       Há doentes, familiares e profissionais de saúde que continuam a relatar situações de serviços “especializados”, públicos e privados, onde não existe médico, ou médico com competência, ou onde há excesso de doentes sob responsabilidade de um só médico, ou onde é insuficiente o tempo médico para os doentes.
·       Há quem não tenha consulta médica durante meses, mas esteja medicado diariamente com metadona ou receba a receita de medicamentos, o que permite compreender melhor o mau uso de medicamentos e o desvio para o mercado negro.
·       Há quem esteja mal medicado e vá mercado negro comprar medicação complementar.
·       Há doentes insuficientemente medicados e que para se sentirem menos mal fazem consumo de álcool ou de outras substâncias.
·       Há consumidores de benzodiazepinas adquiridas com ou sem receita médica nomeadamente de comprimidos de midazolam que injectam na veia depois de esmagados e diluídos em água.
·       Há doentes e familiares que dizem conseguir obter medicamentos sem a necessária receita médica obrigatória.
·       Há serviços em que, são ministrados fármacos sem existir consulta pelo médico (usurpação de funções).
·       Há quem não trate as doenças da pessoa, mas “trate a droga”..
·       Continua a haver quem afirme ter estado internado em comunidades terapêuticas onde na realidade não havia médico.

Há prisões, onde as carências e insucesso no programa de políticas de redução de riscos foi e é uma vergonha.


É PRECISO MUDAR. 
MUDAR O QUE NÃO ESTÁ BEM É POSSÍVEL E NECESSÁRIO.



domingo, 16 de agosto de 2015

PARA QUEM QUER consumir menos álcool

Em 10 de Setembro de 2011 coloquei esta mensagem no blog maladaprevencao.blogspot.com/.


Entretanto em Portugal, de 2013 a 2015, foi legalizado o acesso a bebidas alcoólicas fermentadas, cerveja e vinho, a pessoas, após os 16 anos. Excelente oportunidade certamente aproveitada a nível nacional para, sem conhecimento acrescido, fidelizar muitos jovens aos interesses dos mercados nomeadamente da cerveja, no consumismo. Uma droga de atitude.

Em 2015 regressou o poder do controlo externo através da lei reformulada pelos homens que a fizeram talvez por simpatia para com os menores de idade, talvez por falta de boa vontade para com alguns educadores, talvez por outros interesses, ou até talvez por excesso de ignorância, (no que não acredito). 
Mas constato, pode acreditar, que em 2015 o nível de ignorância de muitos consumidores de todas as idades face ao álcool continua a ser desmedido.
Se a todos os níveis de intervenientes ninguém os ensinou sobre o consumo de álcool, se não aprenderam a defender a saúde e a promover a saúde, como podem fazer bem feito?

Perante a ignorância de tantos e porque a necessidade de saber mais continua actual, recoloco esta mensagem para quem quer consumir menos álcool. 
Talvez possa interessar a alguém de quem se goste.

Continuação de um bom Verão 2015 e não deixe de pensar e aprender para bem escolher.

Saudações
Luís Patrício 




 ÁLCOOL ou ETANOL

Uma substância neurotóxica, muito integrada na nossa cultura e muito bem promovida comercialmente










É uma substância psicoactiva muito fomentada na sociedade de consumo.


É possível fazer bom uso de álcool com determinadas condições.



mau uso de bebidas com álcool é socialmente bastante tolerado e a promoção do mau uso é evidente para quem tem suficiente capacidade e liberdade para ver.

Raramente encontramos pessoas que foram ensinadas a consumir bebidas com álcool fora do patamar de risco.



Continua a ser pouco frequente encontrar profissionais preparados para ajudar a compreender a relação de menor risco que se pode ter com as bebidas com álcool.

Sabe-se que para melhor defender o desenvolvimento cerebral, o álcool não deve ser consumido antes dos 18 anos de idade.

Continua a ser por demais evidente a carência de conhecimento adequado no consumidor de álcool e a carência de saber nos restantes membros da nossa comunidade.

Se desejar …

Partilhe este texto com pessoas de quem goste,

para que possam estar mais informadas e assim protejam melhor a sua saúde.


 

Beber menos álcool é possível

Para quem quer consumir menos álcool




1.    Pela sua saúde e bem-estar da sua família, que nunca falte água na mesa onde come

2.    Mate a sede com água: rejeite a fraude de matar a sede com bebidas com álcool

3.    Não beba bebidas com álcool por acaso

4.    Não participe em rodadas

5.    Não participe em borracheiras

6.    Se decidir tomar bebidas com álcool, coloque previamente um limite e:

       a.  Informe-se com o médico sobre as quantidades que pode consumir, evitando o patamar de risco (diferente entre as pessoas)

       b.  Beba sempre devagar, sem pressa

       c.  Beba golos pequenos

       d.  Nunca “vire” copos: recuse “emborcar

       e.  Escolha bebidas de menor graduação alcoólica (cerveja, vinho)

       f.   Evite consumir bebidas alcoólicas destiladas

      g.  Entre os golos, pouse o copo, tire a mão do copo

      h.  Faça outra coisa qualquer, enquanto bebe

      i.    Não acompanhe a bebida com salgados, porque aumenta a sensação de sede e a necessidade de consumir líquidos

      j.    Respeite a sua pessoa: lembre-se do limite do consumo que marcou

      l.    Regularmente fique 3 dias sem tomar qualquer variedade de bebida com álcool

7.    Celebrar com álcool não é obrigatório: é um mito cultural e um interesse comercial

8.    Rejeite qualquer bebida com álcool em jejum ou para a sossega, antes de se deitar

9.    Pense nos benefícios em mudar a sua atitude, face ao uso da bebida com álcool

10.     Registe as alterações que já tenha sentido

11.     Recorde-se das razões para manter a sua mudança de atitude

12.     Se não atingir os objectivos desejados, reavalie a situação com o seu médico



Adaptação Luís Duarte Patrício 2011