sábado, 23 de maio de 2020

Confinamento. Não estamos todos no mesmo barco. Pesadelo. E o Sonho? A Saúde Mental ?

Pandemia, Confinamento
Trabalho e Saúde Individual, Familiar, Comunitária, Social, Ambiental.
Saúde Mental
Pesadelo maior que o sonho?
Não estamos todos no mesmo barco, nem no mesmo oceano,
Mas, estamos todos no mesmo Planeta.

Os interesses geopolíticos económicos parecem estar em colisão com as necessidades de âmbito social sanitário.

A colisão cria lucros, recria vírus corrupção, ganhos, benefícios geopolíticos económicos para alguns e novos vírus e mais danos sócio-sanitários para muitos mais. A ruína está ali… Que ameaça...

Sem prevenção, surgem mais vírus, mais riscos, mais danos sócio-sanitários.

Sem prevenção assaltam-se mais ganhos geopolítico económicos, por conta de quem acumula mais prejuízos, mais perdas, dos que ficam mais ameaçados, mais presos, mais confinados.

 O sonho e o pesadelo
Esperança na Mudança 

Amigo dr Luís
Quando eu era mais novo costumava, com o botão direito do rato, procurar sinónimos no Word para embelezar os meus trabalhos. Não que tivesse um vocabulário assim tão mau, só não conseguia competir com um computador. E, embora com essa ajuda eu tivesse apresentado aos meus professores uma mente mais criativa e poética - e com isso um maior apreço e uma melhor nota – a verdade é que aquela sensação de satisfação que recai sobre aqueles que vomitam, sem artifícios, aquilo que sentem, nunca me fazia sombra.
 O exercício de continência retórica pautado pelos mais obscuros adjectivos que praticava impedia-me de expor a minha humanidade no seu nível mais cru.
Desta vez quero que isso se foda. Estou sentado a escrever no apartamento onde moro em lisboa. Não tem mais de 25 metros quadrados e custa-me perto do salário mínimo.
Tem dois quartos. Um para mim outro para a minha filha. Ambos tem janelas.
Tenho uma salinha e uma cozinha que praticamente funciona como corredor para a casa de banho mais pequena do mundo.
Gosto da minha casa.
Não estou satisfeito, mas gosto.
Trabalho como guia turístico e durante anos operei para patrões.
O ano passado decidi começar o meu negócio.
Tenho mais responsabilidades, mais riscos mas se tudo corresse bem, teria mais ganhos.
Se eu há 10 anos visse a vida que tenho hoje, com toda a honestidade, estaria muito triste. Tinha 21 anos, estava na universidade e tinha uma vida pela frente cheia de desejos, ambição e talento.
Mas a verdade é que estava a dar os meus primeiros passos no período mais negro da minha vida, em que me tornei num alcoólico toxicodependente que mentia, roubava e fugia de todas as minhas responsabilidades.
Olhava para a minha família como um mealheiro à minha disposição, ignorava uma filha que precisava de um pai e alienei todas as pessoas que existiam na minha órbita. Só não assassinei ninguém porque ainda estou vivo.
Aos 28 anos decidi, depois de fugir de um hospital onde acordei.
E foi depois disso que fui procurar tratamento.
Atenção que não foi o facto de ter acordado de um coma num hospital que me fez ter uma suposta epifania. Foi o facto de isso não ter sido um momento esclarecedor que me assustou, pois, depois de ter fugido, fui comprar droga e consumir. Digamos que a minha epifania surge pela ausência de epifanias.
Se eu com 28 anos visse a vida que tenho hoje, com toda a honestidade, nem acreditaria. Seria bom demais. Sou um pai presente, sou o meu próprio patrão, tenho uma família que me ama e bons amigos. E a minha namorada é incrível.
Quando começou a quarentena até foi divertido. Via filmes com a minha namorada, lia livros com a minha filha por videochat, aprendi receitas novas e sujei pouca roupa.
Estávamos a viver algo histórico sentia eu.
Mas depois a merda começou a apertar.
Dizia-se que o mundo parou. Quem me dera que fosse esse o caso.
 Mas o mundo para mim não parou.
Continuei a ter de pagar renda.
Continuei a pagar contas.
Continuei a pagar pensão de alimentos.
Como não tinha salário nem contrato de trabalho tinha sempre um pé-de-meia para eventualidades, e quando começou a quarentena até estava orgulhoso de ter como me desenrascar.
Mas tudo tem um limite.
Nos últimos dias a realidade começou a desmoronar o bonito desenho que estava a pintar da minha situação corrente.
Tal como quando era mais novo sofria de uma procrastinação tão grave em que só começava a estudar para um exame na véspera, agora só quando estou a zeros na minha conta é que me dou conta dos problemas que vem adiante.
Estou a ter pequenos ataques de ansiedade sem qualquer manifestação exterior.
Por fora pareço uma estátua, mas por dentro sinto-me a afogar.
No meu peito, sem estar à espera, sinto um furacão. Poderia utilizar metáforas bem mais criativas, mas como referi antes não vou procurar sinónimos.
Quero manter o meu negócio, mas tenho de pagar o empréstimo ao banco.
Posso viver para um quarto em vez de um apartamento mas deixo de poder receber a minha filha.
Mantenho o apartamento, mas vendo o carro.
Mas preciso do carro para poder levar a minha filha à escola.
Será que preciso mesmo de gás?
Posso cozinhar sem fogão e com o verão a chegar posso bem tomar banho de água fria.
Pedir dinheiro emprestado aos meus próximos era uma coisa que eu fazia constantemente quando consumia.
Não quero nada voltar a essa prática. Mas vou ter de o fazer.
Dizem que estamos todos no mesmo barco mas não é bem assim.
Sinto que o conforto de alguns inibe a censura, a crítica e a desprezo.
Se eu quero trabalhar, sou um filho da puta que quer matar os idosos e os imunodeprimidos.
Se não trabalhar tenho de ir para o banco alimentar e rezar para que ninguém me reconheça ou para que nenhum canal de televisão esteja a alimentar-se da fome alheia para os olhos do conforto de alguns.
Se eu transmito qualquer tipo de preocupação para com a minha vida sou acusado de egoísmo e ganância.
E o problema é que é verdade… provavelmente estou a ser egoísta.
Mas que posso eu fazer?
Eu não tenho dinheiro. É um facto.
Já comecei do zero antes, e acredito que consigo outra vez.
Mas antes foi mais fácil porque tinha-me enterrado por más decisões minhas. Tinha feito merda e da grossa, fiz a minha penitência e não sou nenhum herói. Pequenos passos, mas com vontade.
Podia nestes últimos 3 meses feito alguma coisa diferente? Claro que sim!
Mas deixei que a minha depressão me comandasse.
Comi demasiadas bolachas e vi demasiada netflix.
Mas como ter esperança?
Dizem que vem uma segunda vaga, que se calhar não desenvolvemos imunidade, etc.
As decisões que tomei no passado, como ter apartamento, começar o meu próprio negócio, arranjar um carro, julgo que foram boas decisões. Mas, agora são as que me custam no bolso.
Tendo isso em conta como posso eu ter a força e a fé de que as decisões que posso tomar daqui em diante para me manter à tona da água não me vão enterrar mais?
Sinto-me perdido. Sem bússola. E isso não seria mau.
Deambular sem preocupações é uma delícia. Se tempo não fosse dinheiro. 
Um abraço para si
Para os outros quero ficar desconhecido.

Meu caro
És bem real, existes, e por tua indicação não escrevo teu nome, nem pseudónimo.
Bravo pela tua muito boa evolução, obrigado pela confiança, e obrigado por mais esta partilha.
A minha estima para ti e até mais logo ao telefone.
E, claro vemo-nos de novo para a semana.
Ab LP

quarta-feira, 6 de maio de 2020

Droga de Confinamento Participação para o Jornal de Notícias


Jornal de Notícias 

Convite Apr 24, 2020, 4:29 PM para partilhar. Estávamos a trabalhar em consulta por videochamada, e entre consultas elaborámos as respostas, sobre o que sabemos, enviadas às 6:33 PM.

Jornalista Delfim Machado:
… solicitar um conjunto de esclarecimentos/opiniões técnicas e médicas sobre o consumo de substâncias psicotrópicas em período de confinamento.
Nomeadamente:
1 – Se existem maiores riscos de aumento de consumos de estupefacientes em período de pandemia. Caso exista esse risco, deve-se a que fatores?
2 – Muitas associações têm falado da escassez da oferta de substâncias resultante do fecho das fronteiras e tráfego aéreo, o que leva a que as substâncias existentes sejam adulteradas.
 esta alteração também aumenta o risco do desenvolvimento de patologias com gravidade para os consumidores… ?
 se tiver outros comentários… mercado, consumo, tratamentos e pedidos de ajuda, dentro do período de pandemia…
Delfim Machado

Texto enviado ao Jornalista Delfim Machado
Parte deste texto faz parte integrante de uma reflexão mais vasta e em construção, anteriormente iniciada e em parte publicada na minha pagina, e que tem contributos de colegas portugueses e estrangeiros e de consumidores e doentes em tratamento.  
Droga de Confinamento e Comportamentos adictivos
Necessidades e efeitos das restrições no consumismo
 Por Luís Patricio

O CONFINAMENTO ou RESTRIÇÃO DE MOVIMENTOS,
provoca intensas mudanças,
nomeadamente redução dos intercâmbios,
anulação de inúmeras actividades e de… viagens, para todos...
E também desencadeia
inúmeras mudanças face aos consumos,
nomeadamente onde a oferta era abundante, muito acessível.

Para o consumidor ocasional agora em confinamento, se consumir menos vezes, tem menos comportamentos com risco.
Para o consumidor regular que insiste no consumo, ou para o consumidor dependente, existem mais riscos, na procura do produto, com maior ou menor escassez e por maior adulteração do produto, e pelo aumento no preço.
Nesta fase, conseguir produto, depende da região do País
Claro que quem não se consegue confinar e “tem que se safar” o risco é acrescido.
Note-se que há consumidores que têm 50, 60 e até 70 anos. São pais, são avós, vivem sós ou acompanhados.

Claro que os mais POBRES e excluídos, porque não têm nada, nem como se proteger, não se podem confinar. Estão sobre expostos a todos os riscos de antes e de agora.
Quem é consumidor vive sempre em alguma tensão, que alivia com o próprio consumo.

Mas, em SITUAÇÃO DE RESTRIÇÃO DE MOVIMENTOS, DE CONFINAMENTO, situação defensiva perante uma ameaça bem identificada ou desconhecida, é natural que aumente nas pessoas a ansiedade, e surjam reações emocionais desagradáveis, tensão, angustia, insegurança.
A solidão, a depressão, porventura a vivência de abandono e até medo tudo piora.
E, neste contexto pode ser esperado o aumento na procura e o aumento da oferta de substâncias psicoactivas.
O que está legalizado tem menos dificuldade em ser disponibilizado (oferta) aos consumidores (procura).
Alcool e tabaco e fármacos sedativos são substâncias legais muito acessíveis e muito consumidas.
Claro que as ”euforias” e as “grandes bebedeiras de rua”, bem visíveis nas noites comerciais, estão confinadas: não se vê este comportamento.
Mas há mais gente confinada em casa, a beber, agora com regularidade, bebidas com álcool: aperitivos, digestivos, destilados e vinhos e cervejas. E não era habitual tanto uso por estas pessoas. Nas redes sociais percebe-se que existe esse consumo.
Mas, se a situação de confinamento se prolongar no tempo, pode haver redução da oferta.  E se a oferta dessas substâncias for muito escassa, surge a redução da procura.

Mas, uma situação de excepção, de confinamento ou restrição, pode criar uma anomalia na normalidade consumista, e contribuir para que haja consumidores que ponham em causa o seu equilíbrio nesse consumismo.
E assim podem desejar criar alternativas a essa situação de desequilíbrio, reduzir ou até anular o consumo.
Mas, também podem surgir outras reacções, nomeadamente agravar o consumo ou, derivar para substâncias alternativas ou para comportamentos alternativos, com ou sem risco adictivo manifesto.  A derivação para o álcool é comum.

Há que reconhecer verdades nas realidades, em situação de confinamento:
a) o preço do que seja objeto de maior necessidade ou de mais desejo, tende a aumentar com ganho para poucos e prejuízo para muitos;
b) a sua qualidade tende a diminuir, aumentando os riscos para a saúde


NA CONFINAÇÃO NADA ESTÁ NA MESMA
Vejamos
COCAÍNAs . Para snifar, Branca. E para fumar, Cosida.
O consumo está muito mais aumentado, do que outrora, antigamente.
Mas, agora há:
·         Menos transportes, MAIS DIFICULDADE DE "OFERTA"
·         Mais CONSUMIDORES QUESTIONANDO a sua RELAÇÃO com a branca ou com a cosida.
·         Mais aflição, mais pedido de ajuda.
A "gulosa", cocaína, não é inocente. A coca é "gulosa" e com álcool tudo piora. Há muita derivação para consumo de álcool e de coca+álcool . Existe relação directa com a capacidade para “arranjar” cocaína, com queixas da quebra da qualidade. Obter branca “branca snifada”, depende dos locais. “Onde vivo é só ir ao lugar certo”.
Consumo de cocaína - A NOITE e as FESTAS
·         O confinamento que fechou estabelecimentos da noite, bares, casas de diversão, e até restaurantes, mudou o comportamento dos frequentadores. Consumidores, com mais dinheiro, não indo lá, lá não consomem a “branca snifada”, cocaína (cloridrato).
·         E não havendo mega festas ou festas privadas, não se juntam pessoas consumidoras.
·         Ficam-se mais pelo consumo individual no carro ou “doseado” e doméstico. E isso obriga a sair de casa, para buscar na rua ou ir ao bairro.
·         Mas, quem assumir expor-se mais (sem sair à rua), tem referências para encomendar e, recebe à porta da casa ou até onde vive.

SINTÉTICAS. Consumo de Sintéticas
Não havendo festas diminui o uso de substâncias sintéticas
Mas…. Esperamos pelo desconfinamento…

CANABIS. Erva e Haxixe
O consumo está muito mais aumentado que outrora, antigamente.
É ilegal, mas muito banal em Portugal. Consumo, em casa, na rua, nas festas, na escola, na universidade, etc. Qualidade?  DESCONHECIDA.
Agora, no confinamento … não abunda nos locais habituais. Por exemplo há doentes que me disseram que a Erva e Haxixe estão a preço de ouro. Mas, aqui em baixo não falta.

HEROINA
Não falta. Mas o consumo está muito mais reduzido que outrora, antigamente.

MEDICAMENTOS
Fármacos de abuso: aumento confirmado. Com e sem receita médica.

FALTA DE PROVISÃO DE MEDICAMENTOS NO TRATAMENTO
Aconteceu faltar medicamentos a doentes, por não terem acesso à consulta e até dificuldade ao telefonar para serviços.
Conheço recaídas em heroína relacionadas com a falta do tratamento com o medicamento opióide. Dois antigos doentes voltaram ao meu contacto, para desenrascar, por ter faltado, onde eram tratados, a resposta necessária.
Saliento que ao médico que o escuta, o doente que nele confia o que sente, não mente.

PREOCUPAÇÁO
PREOCUPAÇÁO PARA FUTURO PRÓXIMO
1.    Que socialmente não haja descuidos, nem pressas… em desconfinar.
O desconfinamento pode vir a trazer mais e mais riscos, SE NÃO FOR GRADUAL.
2.    A descompressão RÁPIDA PODE ORIGINAR AGRAVAMENTO DE COMPORTAMENTOS de risco para a saúde, com álcool e outras substâncias, riscos com sexo, jogo, compras, etc.
3.    Prevenir é educar BEM, informar e Precaver. Por exemplo face à cocaína e perante uma recaída… Se voltas "a riscar, começa com pouco e devagar".
Com heroína, para quem suspendeu, é idêntica a precaução.
Há importantes cuidados a ter e que importa esclarecer, para que se fique a saber.

Luís Duarte Patrício é autor do projecto pedagógico Mala da Prevenção
http://maladaprevencao.blogspot.com/
https://www.facebook.com/maladaprevencao.drluispatricio/
http://drogaparaquesaiba.blogspot.com/
Vídeos: https://www.youtube.com/user/psimedicina

Este foi o texto base, em curto tempo preparado e enviado ao JN

Nos Bilhetes postais já publicados, 1,2,3a, 3b e nos restantes a publicar este assunto está porventura mais elaborado.
Obrigado pelas leituras e eventuais partilhas.
https://www.facebook.com/maladaprevencao.drluispatricio/




1 - Droga de Confinamento e Comportamentos adictivos
Necessidades e efeitos das restrições no consumismo



2. O Confinamento e a procura e a oferta
de substâncias psicoactivas legalizadas

2.1 – TABACO em 2. O Confinamento e a procura e a oferta de substâncias psicoactivas legalizadas
2.1 – TABACO
Bilhetes Postais LP 3A e 3B

A continuar com textos e algumas fotos realizadas em dias de confinamento
Obrigado por ler
 Luís Patrício 

domingo, 19 de abril de 2020

A CREDIBILIDADE dos NÚMEROS. ESTATÍSTICAS e ANÁLISES ESTATÍSTICAS. O problema se existe...


NÚMEROS ESTATÍSTICAS E PREVENÇÃO


A CREDIBILIDADE DOS NÚMEROS

ESTATÍSTICAS E ANÁLISES ESTATÍSTICAS

EDUCAÇÃO É PREVENÇÃO

A CREDIBILIDADE DOS NÚMEROS reflete:
1.    a seriedade de quem os recolhe para os entregar;
2.    a competência de quem trabalha estatisticamente os números que recebeu;
3.    a seriedade e competência de quem difunde as estatísticas recebidas.
  
Um dia, conversava com um conterrâneo amigo, JPires, (bastante discreto e socialmente activo desde tempos idos do reviralho), sobre os números publicados pelo INE, instituição onde ele trabalhava
Eu disse-lhe que não acreditava em absoluto nos bons números da droga, publicados (dados de há cerca de sete anos) com bastante agrado do poder, porque estavam bastante longe da percepção de quem trabalha todos os dias, anos a fio, na linha da frente.

E ele respondeu-me que, no seu serviço eram sérios e competentes ao trabalhar os números, que eram recebidos. E reforçou que não aldrabavam nada, e que os resultados estatísticos eram aqueles.
Disse-lhe: entendido. E com ele aprendi. E ele repetiu que eram os resultados estatísticos.

É natural o desejo de ficar bem no retrato e por isso há quem diga que, os números entregam-nos o que lá se quer tirar.

Há meia dúzia de anos, em outra ocasião e fora de Portugal, falava com colegas de outros países, também trabalhadores em linhas da frente. E, nesse grupo de colegas, alguns referiram abertamente, a percepção de haver uma significativa diferença entre a realidade que viviam no trabalho no seu país e, os dados que sobre o seu país eram publicados por um organismo europeu, o Observatório da Droga, em Lisboa.
E também quero acreditar que, tal como o INE, em Lisboa, o Observatório também trabalha com muita competência estatística os números que recebe.


Actualmente vivemos sob a pressão individual e social de uma pandemia viral.
Desde Março, semanalmente, tenho participado em reuniões WEB, reuniões que criámos com colegas de vários países europeus e de fora da Europa. Assim partilhamos entre profissionais, questões e emoções, conhecimentos e dúvidas, partilhamos entreajuda.
Naturalmente que se abordam questões da SAÚDE, comportamentos de risco para saúde, saúde mental, entre outros assuntos.


E estando em confinamento também se fala dos números, das estatísticas publicamente conhecidas. E, também neste âmbito e sobre os números, existe com regularidade, discrepância entre o que foi publicado e a percepçáo de quem, por razões profissionais, está nas fronteiras ou trabalha (com muita coragem e às vezes sem equipamento de Prevenção), em núcleos das linhas da frente.
Este desacordo reflecte-se, por exemplo, quando colegas de França dizem que os números devem ser “multiplicados por 3 ou por 5”, do Brasil, “multiplicados por 10 ou mais” e, da Costa Leste da América, ouvi “nem vale a pena multiplicar”.


Numa situação de riscos para Saúde, situação de sofrimento e de doença, e grave, a verdade da realidade interessa sobremaneira a quem trabalha nas linhas das frentes. Quem trabalha nas linhas das frentes não são mercenários, são lutadores e têm família e outros valores.
Quem está a trabalhar nas linhas das frentes, trabalha para bem de todos, arrisca a sua integridade, a sua capacidade de trabalho e até a própria vida.


Quando existe a sensação de haver diferença de verdades, existe um problema. É como se houvesse a sensação de existirem verdades da conveniência distantes, mais ou menos, das verdades das realidades. E isso pode ser um problema.


O problema, se existe ou quando existe:
1.     é um problema, porque a percepção de quem trabalha na linha da frente às vezes é… um problema, porque sente os receios e a sua realidade de forma diferente;
2.      é um problema, porque muitas vezes são desconsiderados, são serviçais que, de diversas profissões e sem condições, trabalham na linha da frente, sem supervisão, sem protecção da entidade patronal, e estão calados e mal pagos;
3.      é um problema, porque muito se desgasta quem trabalha na linha da frente, nomeadamente quando não pode fazer tudo como devia fazer, e sofre e ouve ou leva com o que não merece, por vezes até adoece no trabalho e gravemente e, infelizmente e não raramente, até pode finar-se; 
4.      é um problema, porque aparentemente é da sua responsabilidade ser trabalhador naquela área e por isso foi trabalhar numa linha da frente;
5.      é um problema, porque foi de sua iniciativa escolher, fazer família com outra pessoa que (problema) também trabalha na linha da frente;
 6.      é um problema para quem o problema sejam os seus NÚMERO$ & ESTATISTICAS a apresentar, bem diferente do problema de quem trabalha na linha da frente.
Porque para quem trabalha na linha da frente o problema é a SAÚDE e BEM-ESTAR de TODOS os que beneficiam com a sua competência e, com sua entrega a esse trabalho corajoso na linha da frente.

Quem fala com quem trabalha na linha da frente, quem ouve quem trabalha na linha da frente, sabe que, quem trabalha na linha da frente sente, sofre e não mente.

 E ao sair do trabalho dedicado que fez na linha da frente, sente, muitas vezes sofre, e não mente.
 E ao ir para o trabalho dedicado que vai fazer na linha da frente, sente, muitas vezes sofre, e não mente.


Aqui homenageamos quem, na Área da Saúde e Bem-estar Social e nas outras múltiplas Profissões para nosso suporte,  está a trabalhar nas suas linhas das frentes, com toda a sua coragem e com toda a sua honestidade.  

Aqui homenageamos também, quem com EDUCAÇÃO PARA A SAÚDE E EDUCAÇÃO CÍVICA respeita o confinamento. 



PREVENÇÃO É PRECAUÇÃO.  E em "números e estatísticas",  é precaução, é todo o cuidado a ler, interpretar e difundir para nunca... a ninguém ferir. Com todo o cuidado para evitar que alguém se atreva a manipular.

Uma manipulação, mesmo com “boas intenções”, mesmo que seja feita por científicos, pode provocar o aparecimento de situações mais perigosas do que a descrença, incluindo o perigo da criação de muitíssimo vírus malignos.

Se são postas em causa a seriedade e a competência em "números e estatísticas", não se constrói a confiança. Pelo contrário, alarga-se a descrença.

A seriedade é fundamental. E a competência também é fundamental.


PREVENÇÃO É ANTECIPAÇÃO,

PARA O EVITAMENTO DE REAÇÕES DANOSAS OU DESASTROSAS PARA TODOS.

PREVENÇÃO É EDUCAÇÃO



 A VERDADE AJUDA A PREVENIR A DOENÇA,
seja qual for a situação de risco para a Saúde e Bem-estar.
A VERDADE AJUDA A CUIDAR DE QUEM TEM SAÚDE E DE QUEM ESTEJA DOENTE

Esta minha reflexão, “A credibilidade dos números”, aqui actualizada e publicada, acontece com o estímulo da sugestão de Aires Freire, companheiro de juventude no Rugby da AAC, que comentou o post de Isabel Risques que partilhei no Facebook

Assim comentou Aires Freire
Pelo mostrado, a análise é feita sobre números absolutos. Seria muito mais credível se ao número de casos por milhão de habitantes se juntasse um dia determinado que servisse para todos os países. Por ex., o trigésimo dia após o primeiro diagnóstico confirmado, ou o vigésimo quinto dia após a primeira morte. Confesso que não sei quais são os resultados
Obrigado Aires. Um webabraço do Luís Patrício.
A assim publiquei no post de Isabel Risques
Moderem o otimismo.
Luís Duarte Baptista Patricio
A VERDADE AJUDA A PREVENIR A DOENÇA,
seja qual for a situação de risco para a Saúde e Bem-estar.
A VERDADE AJUDA A CUIDAR DA PESSOA DOENTE.
Obrigado Isabel Risques
Moderem o optimismo.

Moderem o optimismo. Não, não estamos com melhores resultados que os outros países. Estamos com 62 mortes (dados actualizados) por milhão de habitantes. Não assim tão longe dos EUA (94 mortes/milhão). O Governo e o Presidente da República, com a cumplicidade ignorante de jornais e televisões de referência (não posso crer que seja uma cumplicidade deliberada), estão a dar uma falsa segurança aos portugueses. Não é com desinformação que se salvam vidas. O número de casos não se divide por valores absolutos. Temos, pois temos, bastante menos casos absolutos que, p.e., os EUA. Mas também temos bastante menos habitantes: 10 milhões em vez de 330 milhões. Portugal está na short list dos países com mais casos de infecção (18, 841 casos confirmados - 16.ª posição em mais de 200 países), e no Top 12 dos países com mais mortes no mundo inteiro por milhão de habitantes. É compreensível que o Governo se preocupe com os efeitos da quarentena para a economia, que queira evitar a queda estimada do PIB de 6,5 % por cada 30 dias úteis (previsões de Mário Centeno), sei que a economia parada leva ao desemprego e o desemprego à pobreza, mas não nos vendam ilusões para que não se passe do isolamento para o "à vontadinha". Que o Governo, dono da verdade que não temos, se prepare a tempo e não relaxe para o que mais me preocupa agora: os efeitos das segunda e terceira vagas, que virão, quer queiramos quer não, enquanto não houver vacina, enquanto não for possível a vacinação em massa. A regra de ouro continua a mesma: testar, testar, testar. Espero que já tenham feito encomendas para muitos ventiladores, testes, equipamentos de protecção (ou tirem-nos do sótão, cave ou garagem onde os têm reservados). De caminho, cumpram a promessa de garantir a protecção a 100 % dos que arriscam a vida todos os dias para nos salvarem, os profissionais de saúde, os verdadeiros heróis, mas mal pagos, desprotegidos, cansados e insatisfeitos. Digam de uma vez que as máscaras são para toda a população usar, em todo o lado. Ainda há quem não saiba que só não o disseram porque não há máscaras para todos. Não desistam de as encomendar à China mas lembrem-se que também temos fábricas capazes de as fazer. Melhorem os hospitais de campanha, com mais privacidade, mais segurança, melhores camas que essas de lona, estreitinhas, a 1 m de distância umas das outras. Servem para a fotografia, mas não serão a escolha acertada para acolher os doentes. E entre tantas e urgentes medidas, tenho esperança de que invistam a sério no reforço da linha da saúde 24, a linha de triagem para a Covid 19, obrigatória para reportar sintomas e determinar internamentos, mas ainda sem capacidade de resposta, levando a que pessoas doentes ou os seus familiares passem horas de aflição à espera de alguém que os atenda e oriente. É bom que as pessoas saibam que não vamos sair tão depressa desta crise. Melhores dias virão, haverá picos maiores no Inverno, menos casos no Verão. Mas entrámos na era Covid, com distanciamento social até, pelo menos, 2022. https://nymag.com/…/harvard-study-some-social-distancing-re… É o início de uma era de que não sabemos quando iremos sair. Vamos ter de conter este nosso jeito latino de ser, evitar os beijos, os abraços, os passou-bem, e aprender a ser diferentes.
Fonte: dados compilados pela Universidade Johns Hopkins, prestigiada universidade de saúde pública nos Estados Unidos.
https://www.statista.com/…/coronavirus-deaths-worldwide-pe…/