Aceite a minha estima
Não estou reformado.
Mantenho a actividade em Portugal e fora do país e colaboro voluntariamente na unidade de saúde que ajudei a criar em Lisboa, o Centro das Taipas do IDT.
A Mala da Prevenção voltou a Santos o Velho, com o Público
Recordo com satisfação actividades de rua que decorreram de forma bastante interactiva, apoiadas nas possibilidades da Mala da Prevenção, e realizadas em Portugal e fora do país.
Mas desta vez aconteceu que outros olhares se interessaram também por este utensílio de trabalho e de partilha da informação, do conhecimento e da partilha da responsabilidade.
Saiba mais lendo o Público.
http://www.publico.pt/Sociedade/um-psiquiatra-uma-mala-e-a-prevencao-do-alcoolismo-entre-os-jovens_147312901.01.2011 - 10:00 Por Paula Torres de Carvalho
E para que ainda saiba mais, recomendo que oiça e veja as imagens do vídeo realizado por Joana BourgardLuís Duarte Patrício
Para saber mais sobre a Mala da Prevenção, poderá visitar
Por Luís Duarte Patrício
Acção promovida pelo Serviço de Formação e Desenvolvimento, do Serviço de Saúde da Região Autónoma Madeira, E.P.E.
A acção de formação “Intervir face à dependência de opiáceos:
Revisão e actualização” foi destinada a 25 profissionais de saúde da Equipa da Unidade de Tratamento da Toxicodependência, antigo centro de São Tiago, agora integrado no Departamento de Saúde Mental do Hospital Dr. Nélio Mendonça.
A actividade decorreu durante 8 horas e beneficiou do apoio da Mala da Prevenção.
Recebemos do Funchal a avaliação desta acção, de que destacamos:
Adequação dos temas Bom 26,1% Muito bom 73,9%
Aquisição de conhecimentos Bom 39,1% Muito bom 60,9%
Avaliação global Bom 34,8% Muito bom 65,2%
Agradecemos a oportunidade e a confiança recebida
XI Escuela de Otoño – Socidrogalcohol
Benidorm 4,5 e 6 Novembro 2010
Realizou-se a décima primeira Escuela de Otoño de Socidrogalcohol, Sociedad Científica Española de Estudios sobre el Alcohol, el Alcoholismo y las otras Toxicomanías, organização de profissionais, colegas com quem há mais de 20 anos, aprendemos e partilhamos.

Da avaliação efectuada pelos participantes destacamos a autoavaliação do nível de conhecimentos antes e após a acção.
Nivel de conhecimentos antes da acção: 1 - 14,3%; 2 - 28,6% ; 3 - 28,6%; 4 - 28,6%
Nível de conhecimento depois da acção: 3 - 14,6% ; 4 - 57,1%; 5 - 28,6%
Mais uma vez fizemos a travessia ibérica, não no meu carro (onde não
cabíamos todos), mas partilhando a condução na carrinha nº3 da Associação “Novos Rostos, Novos Desafios”, a quem também agradecemos a colaboração.
Também nesta viagem para a Escuela 2010, tive a sorte de estar acompanhado por profissionais de saúde: duas psicólogas, uma enfermeira, uma técnica e uma assistente social, a quem agradeço agradável companhia
Tivemos o prazer de encontrar na Escuela, mais três portugueses.
A Dr.ª Olga Fortes, colega psiquiatra com quem há bastantes anos também percorro caminhos e actualmente a trabalhar na Feira e a Eng.ª Sandra Matos, responsável na Reckitt Benckiser Pharmaceuticals e com quem pudemos conviver e partilhar opiniões e experiências.
Luís Duarte Patrício
Por Luísa Pereira Coutinho
Assistente Social, Amadora
Uma aventura de 72 horas (saída de Lisboa – 3.30h a.m. de dia 4/11, chegada 3.30h a.m. de dia 7/11) organizada e estimulada pelo entusiasmo e disponibilidade que conheço, desde há muitos anos, no Dr. Luís Patrício.
Quase atravessámos a península Ibérica (Lisboa – Benidorm) numa viagem feita sob o lema “Cidade Segura” na viatura, amavelmente cedida pela Associação “Novos rostos, novos desafios”.
Muitas horas de caminho (que permitiu, aos 7 passageiros, conhecermo-nos, rir-mos, dormir-mos…) levaram-nos a um acontecimento de grande qualidade científica (www.Socidrogalcohol.org) com base numa excelente organização ( www.C&Events .es), num espaço lindíssimo.
Esperavam-nos dezasseis “talleres” em formato de Workshop de
Com muita dificuldade, perante a quantidade e qualidade da oferta, tive que fazer difíceis opções. Participei em dois “talleres” de 10horas, que passo a sintetizar:
(i) “Las Creencias: Los códigos internos que gobiernan la vida”, coordenado por Vicente Cuevas Martinez – psicólogo clínico; escola de psicoterapia de Valencia.
Parte-se do pressuposto que as crenças são forças interiores poderosas que formatam as nossas emoções e atitudes.
As crenças são generalizações (uma leitura) sobre certas relações existentes que podem ser algo de regenerativo ou limitador. Não se baseiam em ideias lógicas mas funcionam por vínculos. Pelo que há que questioná-las, perceber que impacto têm em cada um e como afectam as várias dimensões da vida.
Como se mantém uma crença? Como se inibe? Como se potencia? Como trabalhá-la?
Vicente Martinez propõe um modelo de intervenção:
Pressupostos básicos para trabalhar as crenças:
1) As crenças podem ser alteradas, caso contrário cria-se resistências.
Quando começamos a trabalhar os sentimentos temos de identificar onde estão as forças, mas também as resistências:
a) Identificar: Sentimentos desejados; sentimentos temidos; sentimentos inibidos;
b) Concretizar o que significa cada sentimento;
c) Priorizar os sentimentos (ex. qual o mais doloroso, qual o de maior prazer?)
2) Questionar a crença, criar duvidas – que elementos a confirmam? Que elementos a “abatem”? Como ela afecta a minha vida = seu efeito?
3) Avaliar as crenças historicamente – localizá-las no tempo; quando e em que contexto se criaram?
4) Debilitar a crença, associar-lhe limitações e dor – qual o mal-estar que ela produz; que crença a poderá substituir e/ou regenerar? Que crença quero ter na minha vida?
5) Orientar para uma nova crença, associar-lhe crescimento e capacidades à nova crença.
6) Como levar este processo a cabo – estratégias.
(ii) “Abordaje terapêutico de los transtornos por uso de sustancias en adolescentes: Un modelo integral e integrado”, coordenado por Rosa Díaz – Psiquiatra; Unidad de conductas adictivas en adolescentes; Servicio de psiquiatria y psicologia infanto-juvenil (ÚNICA-A); Hospital clinic Barcelona.
Um modelo integral pelo trabalho sobre a multidimensionalidade dos problemas duma forma multidisciplinar.
Um modelo integrado, pelo tratamento conjunto de problemas aditivos e psiquiátricos, em adolescentes.
Nos adolescentes não se encontram os típicos problemas de adição dos adultos.
A “ÚNICA-A” propõe um plano de intervenção global que se estrutura:
1- Detecção precoce de casos de risco (instrumentos - CRAFFT)
2- Acolhimento: primeiro contacto – vinculação
3- Avaliação da gravidade, factores de risco e de protecção (instrumentos – Teen- ASI)
5- Informação e psico-educação juvenil
6- Intervenção psico-educativa de pais
7- Indicação para programas terapêuticos especializados
8- Seguimento: trabalho em rede, coordenação; figura de “gestor de caso”
No regresso viemos mais ricos, de conhecimento, convívio e partilha; e mais pesados, com a quantidade de publicações oferecidas pela Socidrogalcohol que provou, mais uma vez a qualidade cientifica que lhe é conhecida internacionalmente.
Obrigada pela oportunidade, a todos os que comigo partilharam esta travessia.
Em Breve:
Memórias de outras Escuelas
O estrangeiro e as notícias da descriminalização
da “droga” em Portugal
Por Luís Duarte Patrício
Médico Psiquiatra
Correspondente T3E em Portugal
Desde há 22 anos que tenho tido a sorte de criar laços profissionais e de amizade com colegas estrangeiros.
Pude ajudar a construir no âmbito da profissão e da cidadania a rede Europeia, T3E Toxicomanies Europe Échange Études e a Federação Europeia de Associações de Profissionais ERIT (presidente eleito em 1998 e 1999/80).
Colaboro regularmente com outras associações de profissionais, ex: EUROPAD, Socidrogalcohol.
Ao longo destes anos tive oportunidade de partilhar experiências em 32 países de aprender com colegas de mais de 40.
Muitos destes colegas estrangeiros têm acompanhado a realidade portuguesa no âmbito da adictologia, visitam-nos com alguma frequência, interessam-se pelo que por cá se passa.
Mas ao longo do último ano, alguns colegas referiram os ecos da imprensa sobre o tema da Lei da Descriminalização.
E há quem estranhe o que por lá lê: não corresponde ao país que conhecem e que visitamos em conjunto sempre que oportuno.
Procurei ver na Web o que se tem publicado e com agrado vi notícias claras, mas não foi sem espanto que também vi algumas notícias erradas, fantasiadas e até inverdades.
Passar uma mensagem de forma fidedigna pode não ser fácil, e menos ainda em outra língua, mas há que insistir na clarificação. A primeira notícia é que vale / vende. Uma emenda é um pequeno alívio.
Aqui deixo 2 exemplos ainda que eu não saiba se foram emendados.
Isso aconteceu em Portugal. Eles têm campanhas de saúde reais, dezenas de milhares de crianças andando de bicicleta por toda Lisboa, por exemplo, e as campanhas entraram na rede educacional.
Esta frase está atribuída a Glen Greenwald “jornalista e comentarista político, que escreveu um relatório sobre os oito anos de descriminalização em Portugal para o Instituto CATO dos Estados Unidos”.
E sobre Portugal escreve a revista Le Point
Le pays où la drogue est légale
http://www.lepoint.fr/archives/article.php/405797
Há quem diga que a descriminalização mudou o panorama em Portugal.
Sejamos claros e recordemos que a lei anterior praticamente não era aplicada, nem no encarceramento nem nas alternativas que se podiam efectivar.
O esforço de muitos de nós profissionais de saúde foi, durante anos, dirigido para que houvesse mais respostas de tratamento e para que o consumo deixasse de punido como crime. E assim aconteceu.
E de facto o que mudou muito no país foi a criação da rede sanitária iniciada e então construída na medida das necessidades, com empenho dos profissionais e a compreensão e aceitação de médicos e de outros profissionais de saúde, de magistrados e de outros actores judiciais, de professores, e de muitos políticos locais, regionais e nacionais.
A sua compreensão, como "actores sociais" permitiu a muitos outros aceitar que uma pessoa dependente é uma pessoa que está doente.
E que estando doente, dependente, ao consumir de novo procura aliviar o sofrimento da privação aguda, chamada de ressaca, tal como acontece no dependente de substâncias legais, tabaco, álcool.
Deixando de haver criminalização, retirou-se o estigma e diminuíu a resistência do dependente de substância ilegal, na procura de tratamento.
Cito o jornal Liberation:
O assunto do consumo deixou de ser da justiça para ser um assunto de saúde.
Au Portugal, la drogue est une affaire de santé
http://www.liberation.fr/monde/01012303095-au-portugal-la-drogue-est-une-affaire-de-sante
Quando as pessoas consumidoras, integradas ou marginalizadas, consomem para aliviar o sofrimento, há que lhes propor, com verdade e sem demagogia, alternativas sanitárias de qualidade, credíveis e acessíveis, para ultrapassar esse sofrimento, incluindo a alternativa para o sofrimento da exclusão social.
Voltaremos