quinta-feira, 16 de junho de 2016

Comportamentos aditivos, liberdade, políticas e saúde mental

Comportamentos aditivos, liberdade, políticas e saúde mental

ESTAR DEPENDENTE É UMA CONSEQUÊNCIA

Comportamentos aditivos, perda de liberdade, políticas e saúde mental

Evoluir é necessário

Os comportamentos de risco em saúde e bem-estar devem ter respostas adequadas, nomeadamente no âmbito da Educação e Saúde. Consumir é um comportamento com riscos. Ficar dependente é uma consequência, um dos danos a serem tratados por quem tenha competência. E a intervenção em Saúde Mental, para ter eficácia deve ser, naturalmente pluridisciplinar.

Em Portugal (e em outros países), durante muitos anos, o Sistema Oficial da Saúde rejeitou a ajuda a pessoas dependentes, incluindo a Saúde Mental. Apenas em1973 surgiu a 1ª consulta diferenciada no Hospital de St Maria, Serviço de Psiquiatria (Prof Dias Cordeiro)) e apenas 1976/77 a 1ª resposta oficial então oficialmente colocada no Ministério da Justiça. Em 1987 surge finalmente a resposta no Ministério da Saúde, com o CTaipas e restantes serviços que se seguiram na criação da rede vertical de implantação de respostas, para num futuro os profissionais e serviços voltarem a ser integrados na restante rede nacional de saúde. Para essa rede SPTT/IDT, contribuíram muitos profissionais das áreas sociais, e tratando-se de doenças, foram fundamentais os médicos, sobretudo de Psiquiatria e de Medicina Geral e Familiar. Conheci largas dezenas e se muitos aceitaram aprender para ajudar, muitos mais continuaram a... rejeitar intervir. 
Alguns mudaram de opinião e outros estão na mesma.

A Patologia aditiva, a dependência patológica, evidencia inegavelmente o sofrimento que atinge a dimensão psíquica de quem sente, e muitas vezes, mas nem sempre, a dimensão física.

Entre nós, muitos Médicos de Medicina Geral e Familiar cuidam abundantemente do sofrimento mental dos seus doentes. E quando necessário articulam com os Serviços de Psiquiatria. Mas é verdade que alguns, por várias razões, não cuidam dos que sofrem de patologia aditiva.
Entre nós, muitos Psiquiatras e cada vez mais os mais jovens cuidam abundantemente de doentes que sofrem de patologia aditiva.

Os serviços de Saúde Mental têm que assumir plenamente as suas responsabilidades. Já o tenho dito e escrito. Aumentado o conhecimento e quebrado o estigma, também em devido tempo deixou de haver serviços verticais para a lepra, e para a tuberculose.

Em Portugal, desde há uma década de anos, pelo menos, o que temos visto a descarrilar, manifestamente revela o que se fez ou não fez com competência. Da publicidade que se reconhece, para mal da saúde e bem-estar, destaca-se o avanço de comportamentos com riscos.
Quanto ao tratamento e recuperação de quem adoeceu, apesar da publicidade que se reconhece, as assimetrias atingem a dimensão da amargura em doentes e também em quem para eles trabalha. Há profissionais que têm MEDO de dizer o que pensam, com receio das avaliações que possam surgir. A graxa voltou ao departamento. “Não posso falar muito porque ainda estou lá dentro” MF profissional de enfermagem.

A agonia que existe em alguns serviços, a mágoa que existe em doentes e profissionais, o que falta na redução de riscos e na recuperação, o descontrolo na procura, ultrapassa-se com competência profissional e verdade, e não com a complacência com a inércia e satisfação de responsáveis técnicos e políticos, existentes desde há mais de uma década. Ainda há 3 anos ouvi da boca do responsável do MS a sua satisfação com a sua equipa… Quem quer sobreviver flutua na crise, para agradar a quem manda, de alto a baixo.

É preciso mudar, para servir quem necessita… Porque sou livre a pensar sou pela mudança.
A formiga no carreiro vinha em sentido diferente… ZA
https://www.letras.com/jose-afonso/67140/


sexta-feira, 20 de maio de 2016

A DROGA CONTINUA MAL. ATÉ ONDE VAMOS DESCER? Mais de 10 anos de propaganda não escondem a realidade.

Em Portugal a droga continua mal

Até onde vamos descer?

Mais de 10 anos de propaganda não escondem a realidade


Pela nossa SAÚDE,
prevenir o mal-estar, o sofrimento, 
faz muita falta
Há que rever o que acontece ou não acontece na PREVENÇÃO e EDUCAÇÂO, no TRATAMENTO, na REINSERÇÃO na RECUPERAÇÃO, na FORMAÇÃO e na PROGRAMAÇÃO de POLÍTICAS em SAÚDE

 Pensar e trabalhar em patologia aditiva é trabalhar em comportamentos de risco, em patologia dual, trabalhar em saúde mental

.
1 - Reconheço
Desde há largos anos, o que é divulgado, o que se lê e ouve na comunicação alinhada, não corresponde ao que temos visto e ao que nos diz quem sofre, os doentes e seus familiares e até profissionais de saúde e do ensino, que trabalham no terreno.
A dimensão do que aconteceu em Portugal nos últimos anos também tem sido ignorada em relatórios de agências, que só divulgam o que oficialmente recebem.
Mas calar o que não convém não anula a existência do omitido. Na nossa realidade, desde há mais de dez anos tem aumentado o consumo de abuso público e privado de substâncias legais e ilegais. Abunda cocaína social, laboral, privada, entregue também ao domicilio. Abunda o consumo escolar de canabis e tabaco. Abunda o abuso de álcool e o consumo de sintéticas. A heroína recupera adeptos? O abuso de sedativos mantém-se.
Em Portugal tem diminuído a qualidade e quantidade no tratamento de doentes e na redução de riscos. E nos profissionais do terreno, tem aumentado o incómodo, desalento e exaustão, até mesmo o medo de falar.




2  - Desvio na verdade
Abordar o que não está correcto tem sido politicamente incorrecto. E ainda que as observações feitas sejam tecnicamente incontestáveis e verdadeiras, o medo de falar destes assuntos, faz com que haja falta de verdade. Sim, porque o receio de ser mal classificado, de perder a graça da chefia e até o emprego, faz com que haja quem se cale ou oculte a verdade.

A perda e ausência de condições para trabalhar
A perda ou até a degradação da qualidade e de condições de trabalho na última década é uma realidade e não é uma raridade.

A título de exemplo transmito uma vez mais, o que já ouvimos de doentes, familiares ou profissionais: doentes com poucas consultas médicas, doentes mal medicados ou diagnosticados ou insuficientemente medicados, ou que não conhecem o médico; análises feitas fora de prazo; doentes que fazem autogestão de medicação cujas receitas são sistematicamente obtidas e entregues por profissionais que não são médicos nem enfermeiros; usurpação de funções médicas.
Há quem, sendo doente, prepare a sua dose de metadona?
Há quanto tempo não tem consulta e observação médica?
O que é que se vende “à porta” do serviço? E há quantos anos isso continua a acontecer?

A procura para tratamento pode oscilar localmente entre a sobrecarga para um médico que não tem capacidade de resposta em tempo ou conhecimentos adequado, outra falta de recursos, e a não existência de… clientes. E neste caso, para manter o lugar e a porta aberta, é “agarrado” tudo o que possa ter algum sintoma ou queixa, para justificar números, mesmo que o cliente não sofra de adição.

Quem é que sendo profissional ou sendo doente esclarecido, está satisfeito com o insuficiente cumprimento da lei de redução de riscos, criada há 15 anos?
E quem está satisfeito com a limitação ou ausência na Educação para a Saúde insuficiência na Prevenção?

3 - Desmotivação e assédio
Após dezenas de anos de muito entusiasmo de muitos profissionais, na última década constata-se que a desmotivação tem sido crescente, existe e é um problema grave. Há quem use baixas prolongadas por cansaço, por doença e há outras situações.
Não são poucos os profissionais que saíram para se proteger e foram muitos os que o desejaram e não puderam.
E há quem, para garantir o salário ou, para não ser prejudicado na reforma, se sujeite ao assédio moral, à agressividade ou falta de saber ou de competência de chefias.

Há quem silencie o sofrimento. Há quem, sendo profissional, tenha medo de falar, de ser mal classificado ou ignorado, de não progredir e ser marginalizado por chefias cada vez mais engraxadas e engraxadoras junto das suas chefias.

É sabido que, quando os poderes reinantes gostam de bajulação, cria-se espaço para os perversos que os adoram e se alimentam da tensão com a manipulação. Cria-se o espaço para o assédio moral.

4 - Quebrar tabus ou continuar ondulando?
Droga de droga em Portugal acontece quando não importa a verdade, não vale toda a verdade, porque importa o protagonismo da droga de sucesso que mascara o insucesso.
Falar da realidade do insucesso é tabu. Mas há muito que é tempo de quebrar tabus.
Importa quebrar tabus muros e abrir as portas dos quintais ou quintas.
É preciso tirar a máscara de quem retém à distância, fora do sistema, pessoas ou ideias ou saberes, que não se deseja que entrem. Isto acontece quando não entram no sistema doentes incómodos ou profissionais incómodos.

E é preciso tirar a máscara de quem retém intramuros pessoas ou ideias que não devem, ou melhor não se desejam que saiam. Isto acontece quando não podem sair do sistema profissionais desgastados com o sistema, ou doentes melhorados para que não se fique com menos doentes ou apenas com “os piores”.

Em Portugal, entre o “está tudo bem” dos carentes mas alegres, e o incómodo dos carentes e tristes com os recuos, temos estado ondulando ou naufragando na carência de avanços e de meios de intervenção.

Não têm faltado as tentativas de entorpecimento do pensamento com consoladoras notícias de sucesso para o exterior com dados trabalhados.

Assim se tem vivido por cá com lugares conservados e colocações cúmplices, governantes consolados porventura enganados e enganando, assim vamos desandando.

Há quem veja vaidade e falta na verdade do poder, atitude que faz de nós ridículos lá fora e até medíocres com a caricatura de sucesso que esconde o desânimo, e falta de vigor cá dentro.

O descrédito, o desconforto reflecte-se por exemplo com os tratamentos insuficientes, com incremento do abuso de cocaínas, de cannabis, de álcool, de sedativos, de substâncias sintéticas, com as carências na redução de riscos nas ruas e nas cadeias, com o descuido ou incapacidade de tratamento em patologia dual, enfim com o retrocesso e a falta de progresso cá dentro.

Mas para alguns dirigentes está tudo bem, mas só para essa minoria.
É necessário o conhecimento e uso de toda a verdade.
A mudança é necessária.

quarta-feira, 16 de março de 2016

INTERCÂMBIO PROFISSIONAL INTERNACIONAL, iniciativa de profissionais que trabalham com doentes

INTERCÂMBIO PROFISSIONAL INTERNACIONAL
O Dr Francisco Pascual, co-autor neste livro, é o novo Presidente de Socidrogalcohol Sociedad Científica.

Iniciativas de Profissionais de Saúde
que trabalham com doentes


Desde há muitos anos que construímos a possibilidade de colaborar no intercâmbio com colegas estrangeiros.
Assim aconteceu e continua a acontecer  também com os colegas de Socidrogalcohol Sociedad Científica.

Para diversas edições das Jornadas Nacionales de Socidrogalcohol e para diversas edições da sua Escuela de Otoño, levámos a participar durante muitos anos, ou criámos condições para que participassem, centenas de profissionais portugueses, de todo o país, de instituições públicas e privadas e de diversas áreas profissionais.
Para muitos eventos, até foram convidados dirigentes das administrações, para os ajudar a perceber o que se passava junto de quem trabalhava.

Um dia faremos, certamente com a ajuda de  muitos colegas, a descrição de quem foi, quem fez, onde foi e o que foi feito.

Agradecemos uma vez mais a Socidrogalcohol as facilidades recebidas, convites, inscrições e alojamentos, incluindo publicações, monografias, dezenas de livros que nos foram oferecidos para distribuir por profissionais portugueses.

Durante dezenas de anos, também recebemos em Portugal dezenas de colegas espanhóis, que se associaram às centenas de reuniões de formação e reflexão técnica e cientifica que promovemos no âmbito de instituições e serviços do sector público e privado, incluindo de ONG que criámos.

Todo este intercâmbio com Espanha só foi possível mercê do trabalho pioneiro, acolhimento, compreensão e amizade criada com colegas de Socidrogalcohol, a quem muito agradecemos nas pessoas dos seus directórios, dos seus antigos presidentes, nomeadamente do Dr Miguel Torres, do Prof Júlio Bobes e do recém eleito presidente Dr. Francisco Pascual. 

Dr Francisco Pascual, novo presidente de Socidrogalcohol Sociedad Científica.

http://revistaindependientes.com/francisco-pascual-es-elegido-nuevo-presidente-de-socidrogalcohol/

E porque faz parte da história, há que recordar que, com Socidrogalcohol e com outras congéneres de outros países europeus, criámos com a brilhante realidade que foi a Associação Nacional de Intervenientes em Toxicodependência e no sonho da construção da Europa Social, a Federação Europeia de Associações de Intervenientes em Toxicodependência, também já inexistente.

Com esta estrutura não governamental também foram mobilizados muitos  profissionais portugueses, algumas centenas, para participarem em formação e intercâmbio no estrangeiro.

De colegas de Espanha e de outros países, continuamos a receber provas de amizade e lealdade que sempre agradecemos.

Também a pioneira Associação T3E, desde o inicio da década de 90, tem sido  promotora de importante intercâmbio de profissionais de Portugal com outros países, nomeadamente da Europa.
Apesar da ausência de apoios oficiais, alguma actividade ainda continua a ser realizada.


É bem verdade que em Portugal, nas décadas de oitenta e noventa, vivíamos tempos de muita esperança, muitas colaborações, muitos entusiasmos e fidelidades, muita verdade e muita construção.

Neste século os tempos mudaram, as colaborações mudaram, muitos entusiasmos esbateram-se, romperam-se fidelidades, sentimentos inferiores subiram o corredor das vitrinas com o faz de conta, incluindo inverdades e os números para as estatísticas servirem os poderes. Muita construção mudou e muita energia se rejeitou ou perdeu.

Contudo, no mundo de quem trabalha com doentes a ciência continuou a evoluir.

Em Junho próximo, a Associação Portuguesa de Patologia Dual vai realizar em Lisboa o VI congresso internacional http://www.congressopatologiadual.com/ . Este congresso internacional, anunciado desde há um ano, conta também com o estímulo de colegas de Espanha, profissionais pioneiros de outra sociedade cientifica, Sociedad española de Patología Dualhttp://www.patologiadual.es/ .
Ambas as estruturas têm o crédito de serem membros de pleno direito da Associação Mundial de Psiquiatria e membros fundadores da Associação Mundial de Patologia Dual.

Também estas duas associações de profissionais têm contribuído, de modo pioneiro, para a melhoria do conhecimento dos profissionais e para a evolução da qualidade dos cuidados de tratamento aos doentes. 


Este é o caminho, O futuro já começou. 



sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

AS SALAS DE CHUTO QUE TEMOS SÃO UMA "PORCARIA"



AS SALAS DE CONSUMO QUE TEMOS SÃO UMA  "PORCARIA"

Veja o vídeo em

https://www.youtube.com/user/psimedicina
https://youtu.be/afzXc2NJd64

Testemunho de Verdades de quem esteve por dentro de casas de chuto existentes em Portugal.


Estes locais de consumo, locais infectados, são criados e frequentados pelos interessados.


Para muitos cidadãos, estes locais são ignorados, desconhecidos, escondidos ou tolerados. 


Podem fechar umas casas e outras são abertas. Perseguir os consumidores não resolve.

Ajudá-los para fazerem tratamento e recuperação ajuda muito e é o Caminho a fazer por quem tenha competência.

E enquanto essa mudança não surge há que reduzir os riscos a que se sujeita, a que todos estamos sujeitos.

É evidente o mau uso, abuso e desvio de medicamentos, associado a pessoas cujo tratamento está a ser um equívoco ou para quem nem existe tratamento.

Confirma-se o comércio paralelo e sem segurança alguma, para ninguém.


Desde 2001 a lei de Redução de Riscos, permite mudar radicalmente estas situações indignas. Neste âmbito, Sala de consumo asséptico e recatado, nada aconteceu de bom, de útil para os consumidores, para a sociedade. Uma vergonha.


Tem faltado honestidade, dignidade e vontade para mudar esta situação?


Ou será incapacidade ou cumplicidade?


Seja o que for, é intolerável que podendo mudar, havendo necessidade de mudar tudo fique na mesma. 


Tantos anos entorpecidos é demais... 


Pela nossa Saúde... Estas pessoas consomem porque estão doentes. 


Se não têm o tratamento de que necessitam, ou se ainda não o querem, temos que procurar o contacto com estas  pessoas, criar pontes e não criar mais exclusão e mais patologias.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

ACONTECE.. Droga Para que se Saiba




ACONTECE… Droga Para que se Saiba
Tem acontecido, desde há muitos anos responder a entrevistas por convite de profissionais da informação. Desde há alguns anos, por critérios editoriais o resultado por vezes é diferente do esperado, seja em tv, revistas ou jornais.
Ontem aconteceu em tv.

Há 3 semanas aconteceu com um jornal de dimensão nacional.
Para que se saiba aqui deixo minhas repostas que enviei por escrito

Resposta

Nas realidades que conheço, nas áreas da Prevenção / Educação, do Tratamento, da Redução de Riscos e da Recuperação, e da formação/actualização, manifestamente tem havido regressão, significativas perdas desde há mais de 10 anos. Há grandes assimetrias na qualidade e enormes disparidades entre o que se diz que se faz e o que se faz.
Cito alguns insucessos:
  • A ausência de saber do consumidor sobre bebidas com álcool, ou a insuficiência da informação ao consumidor. E ainda a banalização da bebedeira, com o sucesso do consumo juvenil abusivo de álcool,  temporariamente com fidelização legal dos 16 aos 18 anos;
  • A banalização do consumo de cannabis ilegal, no espaço público, comercial, lúdico e escolar;
  • A banalização do consumo de cocaína  e base, em diversos meios sociais, para além do consumo escondido;
  • A banalização do consumo  de substancias sintéticas,  md / mdma e outras similares ou não, incluindo os recentes 3 anos libertários de comercio e consumo de substancias sintéticas desconhecidas;
  • O alargamento de consumo de GHB;
  • As recaídas em heroína, cocaína, sedativos álcool em doentes insuficientemente tratados com metadona ou buprenorfina;
  • A assimetria e importantes carências de tratamento de pessoas doentes com outra patologia psiquiátrica associada  à patologia adictiva - Patologia Dual;
  • O mau uso e o desvio de medicamentos;
  • A mantida ausência de algumas respostas para redução de riscos, necessárias, identificadas e que têm enquadramento  previstas na lei desde 2001;
  • Dificuldades reais em processos de reinserção / recuperação.



Resposta
A informação adequada às verdadeiras necessidades da população é um direito dos cidadãos e pode ser uma boa ajuda, nomeadamente para quem sofre de doença. de dúvidas ou de ignorância.

Resposta
Dispondo de pessoas com competência, justificam-se. Se for apenas para dizer que existem não fazem falta. O que faz a qualidade das respostas, das organizações, são as pessoas que lá trabalham, a sua qualidade, entrega e competência.

Resposta
 Melhorar, mudar para melhor.
Responder permanecente às necessidades das pessoas e não para o agrado dos políticos que por uns tempos, gerem os destinos das respostas preventivas, terapêuticas ou sociais de uma determinada população.
Alguns ou muitos políticos envaideceram  com os ecos estrangeiros da descriminalização e adormeceram face à realidade do nosso dia-a-dia. À assimetria de qualidade, seguiu-se o próprio desinvestimento de trabalhadores,  que não foi alheio ao assédio moral, uma realidade também na saúde em Portugal: criar condições para que as pessoas deixem os serviços. Uma realidade de que se não falou nem se fala... até por medo. 

Descentralizar a gestão e dar mais capacidades à intervenção local, às políticas locais.
É em cada local que se conhecem as necessidades e possibilidades de intervenção.

Se falarmos em dependência sem substâncias ou adições sociais, a situação da prevenção e tratamento ainda é muito frágil, proporcionalmente inversa à enorme dimensão de comportamentos de risco - verdades ocultas.

Mas há quem se revele muito satisfeito, como me disse há cerca de 3 anos o político responsável por esta área:  " ... estou muito satisfeito com a minha equipa". Assim aconteceu e ouvi para meu espanto.



quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

Carta aberta ao meu Pai

Mudar e muito, é Possível. 



Carta aberta ao meu Pai, em Dezembro 15

Pai,

Tenho pensado muito em ti ultimamente…

Em ti, em nós…nós os dois, na família, na Mãe, na Géninha …em nós. Tenho ido ao baú para ver fotos antigas. Fotos onde tu apareces. A cantar o fado (como não podia deixar de ser…), a passear em família, nas festas com os teus amigos, enfim, a fazeres o que gostavas (meu Deus, como ainda me custa escrever no passado!).

Tenho pensado muito em ti ultimamente…

Em ti, em nós…nos teus cabelos grisalhos, na tua voz com aquela tez grave, no teu cheiro a after shave pela manhã, no teu caracter forte, impulsivo, na tua genica, na tua alegria, nas tuas convicções, em tudo! Tenho pensado em tudo. Lembro-me de quando me dizias quando eu ainda era um puto e não me portava bem: “Filho és, pai serás…um dia vais-te lembrar de mim e das minhas palavras…filho és, pai serás…”. Eu abanava positivamente a minha cabeça, mas na realidade não percebia muito bem essa história do “Filho és, pai serás.”…

Tenho pensado muito em ti ultimamente…

É que sinto tanta tristeza por não estares ainda cá. Sinto tanta solidão sempre que vejo um filho relacionar-se com o pai, sinto e penso “Também quero o meu Pai cá!”. Sinto que foste mas não foste descansado e ainda ias preocupado, ainda ias lamentado…e sinto que foi por minha causa. Foi por minha causa que a tua doença piorou…pensas que não sei?! Não foi a origem, mas com certeza provocou um acelerar grande do processo…

Hoje que sou Pai compreendo como deve ser duro ver um filho nas condições em que me viste…como deve ter sido dura a nossa primeira conversa em família acerca do meu “problema”! Ainda me lembro onde foi. Na praia em Peniche. Estava eu, tu e a Mãe dentro do carro. Fomos ver um pôr-do-sol…e eu estraguei a festa…como dantes, como sempre…

Como deve ter sido dura a nossa primeira consulta com o Dr, como deve ter sido implacável veres-me a ressacar de heroína…como deve ter sido duro as vezes que fugi de casa (não havia telemóveis na altura…), como deve ter sido duro veres marcas de seringa nos meus braços, nas minhas mãos, no meu pescoço…como deve ter sido duro veres-me a ressacar forte e feio! Uma vez estava a ressacar tanto ao pé de ti que dei um espirro…e borrei-me todo!

É impossível um Pai não pensar “Meu Deus, mas onde falhei?!”. É impossível não ser violento para a cabeça de um progenitor.

Tenho pensado muito em ti ultimamente…

Eu já tinha saído da clinica, mas via-se perfeitamente que não estava maturado, não estava preparado, precisava de ajuda, clarividência, orientação.

Queria que soubesses que está tudo bem comigo Pai. Que soubesses que tenho um filho lindo, uma mulher que verdadeiramente me salvou de morrer, que deu tudo por mim e deu resultado sabes? Ela transformou-me, fez de mim um homem melhor, preocupado com a família e não consigo próprio, com o seu umbigo. Mostrou-me que amar é dar…Dar sem esperar, sem exigir.
Sim, porque sem esta orientação eu acho que não tinha chegado lá. Tinha o corpo limpo, mas a cabeça não…tinha o corpo limpo, mas a cabeça vazia, sem ideias, sem intenções, sem sonhos, sem nada! Só com esqueletos negros e ar, muito ar. Correntes de ar e esqueletos negros…muitas! Muitos!

Tenho pensado muito em ti ultimamente…

Queria que soubesses que a minha vida profissional está bem, que deixei de fumar, que passei a fazer exercício físico com frequência, que tudo isso me faz tão bem à minha alma. Queria que soubesses que o meu filho também se chama João, como tu! Que tem os teus jeitos, os teus trejeitos, que visto de trás é parecido contigo, tem o teu andar malandro e de marialva…Pai! Também é impulsivo, sensível, brincalhão e gozão…como tu!

Ver-te no cemitério não me chega…estás tão perto, mas também tão longe! É tão estranho ver uma foto tua no cemitério, tão estranho…ainda mais quando a foto era a cores e com o passar dos anos fica a preto e branco…simbólico no mínimo.

Tenho pensado muito em ti ultimamente…

Ultimamente tenho sentido mais tudo isto, pois lamento muito que só tenhas visto a 1ª parte deste filme. A 2ª parte tem sido muito mais serena, muito mais calma e tu merecias estar cá, merecias ter visto depois a 2ª parte. Penso que não foste descansado, não foste totalmente descansado e todos os dias penso numa maneira de te dizer, de chegar a ti, de te informar que está tudo bem Pai.

Pai, está tudo bem…está tudo bem.

Obrigado "Paulo" por esta partilha de autenticidade e exemplo. 
Boas Festas para as famílias dos Paulos e das Paulas.