sexta-feira, 27 de março de 2015

DMT novo entre nós, NÃO É NOVO Revista SÁBADO - respostas

DMT novo entre nós, NÃO É NOVO

Revista SÁBADO - respostas

Com o devido acordo da Jornalista Raquel Lito, da Revista SÀBADO, aqui publico na integra as as minhas respostas  às perguntas que recebi
Luís Patrício

Atenção DMT não é novo
Poderá sim, ser NOVO entre nós


Jornalista Raquel Lito 2890- Sábado - Das 101 novas drogas referidas no relatório do Observatório Europeu da Droga e da Toxicodependência, qual delas representa o maior perigo para os consumidores portugueses? E porquê? 

Nem as pessoas, nem os seus momentos de vida nem as substâncias psicoactivas são todas iguais. O maior perigo está relacionado com a pessoa e o seu momento, com a substância forma de uso e quantidade consumida. Naturalmente que as que podem provocar depressão do centro respiratório ou por graves alterações cardio vasculares são as que envolvem risco imediato de vida. Mas não se pode desvalorizar as que provocam graves agressões ao normal funcionamento do Sistema Nervoso Central.


- Como se justifica o aumento de 25% em relação ao ano anterior?

A descoberta de novas substâncias, a síntese de novas substâncias faz parte das actividades dos laboratórios. É assim que se vão descobrindo novos medicamentos, tão úteis para tratar pessoas doentes.
No âmbito das substâncias “droga” para abuso, a linha de investigação tem outros objectivos, que não são novos. Nada disto é novo. Estas descobertas reflectem o investimento para mais produtos de consumo, numa estratégia que também não é nova. E infelizmente, a sociedade mais do que educar os cidadãos, insiste em ilegalizar as substâncias que vão sendo “testadas” por consumidores ávidos de “coisas novas”, muitas vezes a coberto de novas vagas musicais[1]. Algumas “festas”, “festivais” ou “concertos” são promovidas por inventados “músicos” ou DJ, que ninguém conhece, mas cuja promoção vende como celebridades. Muitas vezes é vitrine para ocultar o que se passa por detrás.
O vazio leva muita gente para “festas”, por cá ou lá fora, numa tentativa de preenchimento. E as “festas” são o grande momento para “grandes cenas”. É um negócio, são negócios de menores ou muito grandes dimensões.
Há movimentações de pessoas, pela Europa e fora da Europa, para a frequência destas festas. Não é raro que portugueses se desloquem de avião para cidades europeias para a diversão com permanência de largas horas em festas. Não é nada raro estarem 17 ou 24h seguidas a dançar, claro que a grande maioria sob efeito de substâncias. E na 2ª feira a semana recomeça. França, reino Unido, Holanda, Espanha, são destinos easy.
Muitas das novas substâncias não chegam às festas portuguesas. Por cá são mais as usuais. E a dimensão das festas é também mais reduzida, de 20 a 400 pessoas a dançar igual número de horas, excepto nos mega festivais anuais ou bianuais. Tudo isto é negócio dito de lazer e diversão.

- O jornal Público qualifica-as de “potentes, pouco estudadas e de venda fácil”.

Quem fala com consumidores que adoecem percebe como lhes foi fácil comprar, percebe os estragos ou desagradáveis surpresas que tiveram.
As substâncias mais antigas são mais conhecidas. As menos conhecidas estão pouco estudadas no consumo humano, seja porque são ilegais, seja pela debilidade na troca de conhecimentos entre os profissionais.
Há dois reparos que tenho feito, sobre o que se tem passado em Portugal nos últimos seis anos:
As autoridades de saúde, deveriam informar os profissionais sobre as substâncias que circulam no mercado de rua. Não seria difícil analisar e informar, atitude que nos poderia ajudar melhor, tratar melhor. Informalmente alguns de nós profissionais, trocam conhecimentos entre si, mas dependem da boa vontade e necessidade de cada um. Há um ano debatemos este assunto no Congresso internacional da Patologia Dual em Coimbra. Pessoalmente tenho reunido por convite das equipas locais em diversos locais, com colegas por todo o país, mas face às necessidades isto é… simbólico.

É caricato o pouco que oficialmente se tem feito comparado com a enorme necessidade que existe, para ultrapassar o desconhecimento. Reconheço o que considero inadmissível: que muitas autoridades não têm conhecimento, ou se o têm não o divulgam.

Há um outro reparo que tenho feito. Em 2010 o Observatório Europeu, EMCDDA, sediado em Lisboa, alertou a Europa sobre o que se passava com algumas substâncias sintéticas, entretanto ilegalizadas ou sob controlo em alguns países da União. Curiosamente até 2013, tivemos em Portugal a promoção do comércio de venda livre, sujeita a IVA, de substâncias desconhecidas, que em muitos consumidores provocaram estragos violentos, incluindo casos fatais. Alguma imprensa, por todo o país e nas Regiões Autónomas desmascarou o que se passava. Quem trabalha, quem sofreu e ainda sofre, sabe a dimensão que a epidemia atingiu.
Mas oficialmente os estragos provocados nunca foram devidamente avaliados, isto é reconhecido na totalidade: muitos dos psiquiatras mais envolvidos no tratamento destes doentes nunca foram devidamente ouvidos pelas autoridades. Acresce que o que aconteceu de mau em Portugal até 2013 não foi devidamente valorizado para merecer ser devidamente referenciado no último Relatório do Observatório Europeu (2014), o que considero um escândalo europeu que entristece qualquer técnico e envergonha Portugal. Tenho sido convidado a falar deste assunto no estrangeiro, entre técnicos admirados com o que por cá se passou e de que pouco ou nada se falou “lá fora”. A mensagem politicamente tratada tem sido outra.


Gostaria que comentasse.
- Em Portugal já houve alguma substancia destas apreendida?
Terá que perguntar às autoridades.
Nos anos oitenta tratei quem adoecesse por abuso de fentanyl
Nos últimos dez anos tratei quem adoecesse com o uso de ketamina, LSD, ecstasy /mdma e similares.
Em 2009 estive convidado com a Mala da Prevenção e como perito europeu (e não oficialmente pelo Governo de Portugal) a dar formação sobre Drogas Sintéticas em 4 países da Comunidade Andina – CAN: Peru, Colombia, Bolivia, Equador.

Entrevista al doctor Luis Patricio


Já então estes países estavam a preparar-se para a epidemia que se adivinhava. Por cá o assunto não foi devidamente valorizado. Ainda hoje muitos profissionais dos serviços públicos e não só, têm dificuldade em abordar o tratamento e muito mais a Prevenção.

Nos últimos anos tratei, ainda continuo a tratar quem adoeceu gravemente por consumo do que se diz ser mefedrona e substancias ditas smart drugs compradas em lojas em Portugal. E ainda há quem diga comprar cá com entrega ao domicílio ou comprar por internet com entrega postal. Mas de facto, em boa verdade continua a na se saber o que é consumido.

Veja e oiça este consumidor que adoeceu
Parece ERVA, mas uma droga... Consumir aos 50 e às cegas sintéticas desconhecida
https://www.youtube.com/watch?v=NwjfgIfvxtM


E este

VIDEO LP NEW synthetic drugs NEW challenges 3 years FREE trade FREE consumption in Portugal

https://www.youtube.com/watch?v=ZBYs2fGGWik

E este
Smart Drugs Addition. Portugal. Crítica Social aos 15 meses de tratamento. Março 2014.

- Quais são as faixas etárias de portugueses mais atingidas pelo consumo destas drogas substitutos do cannabis e estimulantes?
Ainda recentemente um frequentador de festas por todo o país me referiu que dos 16 às pessoas de 60 anos, há de tudo, predominando “dos 16 aos trintas”.

- Porque é que o Público afirma que as substâncias psicoactivas passam facilmente na obscuridade?

As que se apresentam em pequenos comprimidos, bolinhas, selos, ou líquido, “não dão nas vistas”. Muita gente consome aos fins-de-semana em meio de maiores urbes rurais ou em ambiente citadino. Gente instalada, burocratas urbanos, empregados de diversas áreas, que também usam coca e muito álcool. Isto acontece pela Europa e também entre nós. E também desempregados. A cannabis está banalizada, tal como o álcool e o tabaco. A cocaína a caminho da banalização. As sintéticas mais comuns não faltam…

O controlo não chega lá e a educação e o debate está com atraso significativo. O resultado indesejado está à vista e tende piorar se não houver grandes e profundas mudanças. Mais do mesmo e continuamos a piorar.


- Gostaria que comentasse a nova droga, DMT, acerca dos perigos que ela representa, quanto custa, os efeitos e onde pode ser adquirida e porque se chama droga do espirito  

Este alucinogénio não é novo. Quem for sensível, tiver paranóias, ou outro sofrimento mental, deve evitar em absoluto.

No meu primeiro livro, Os profissionais de Saúde e a Droga, de 1991, no título destinado às Drogas de Confecção, “substâncias sem indicação terapêutica, que foram e continuam a ser investigadas, apenas para utilização como droga”, faço referência ao DMT, com efeitos semelhantes à psilocibina. Pág. 99., substância que existe nos chamados cogumelos mágicos.
No último livro, Politicas e Dependências O álcool e (de)mais drogas em Portugal 30 anos depois,  de Novembro passado, escrevi DMT (dimetiltriptamina) semelhante à psilocibina e com efeito rápido e de curta duração, (trinta a sessenta minutos). Habitualmente é consumida em chá ou fumada depois de embebida em erva.

Embora já tenha tido referência ao uso de DMT em algumas festas em Portugal, nunca aconteceu ter tratado algum consumidor de DMT.










[1] Sustancias Sintéticas y  Música Warehouse Party (Cicago)
Paradise Garage (NY)
House music & Garage
Techno
Hard core
Gabber
Tribal
Ambien
Trance
Progressive
Rave + video + laser
Acid house
Early o Garage House
Adaptado de Monografía Drogas de Uso Recreativo: Socidrogalcohol

Para CURSO DROGAS SINTÉTICAS
DROSICAN, 2009. Luís Patricio

sábado, 14 de março de 2015

CANÁBIS, DEBATE ADIADO, DISCERNIMENTO ATRASADO, BENEFÍCIO PARA QUEM?


CANÁBIS e demais substâncias

DEBATE ADIADO


DISCERNIMENTO

ATRASADO 

O benefício é para quem?



CANÁBIS   ( ERVA, RESINA, ÓLEO )

Falamos de erva, de resina ou de óleo?

Quando ?     Como ?     Porquê ?


Falta-nos muita Educação.

Até é grande a carência de Educação Cívica!

Defendo que se promova muito mais

Educação para a Saúde


Veja, oiça estratos do programa Opinião Pública na SIC Notícias.
https://www.youtube.com/channel/UCCRCPCBVQZzaNJZlU2SENOA


Há muita falta de Educação para a Saúde

A propósito do debate público sobre o uso de canábis, aqui partilho mais algumas reflexões, para que se saiba...

Se o debate continua adiado, o discernimento continua atrasado

Por Luís Duarte Patrício
Médico Psiquiatra
Chefe se Serviço

O consumo de substâncias psicoactivas têm-se alargado. Na verdade este tipo de consumo tem sido objecto do interesse de populações cada vez mais jovens. 
Para todos estes milhares de consumidores, a chamada Prevenção Primária falhou no objectivo de evitar o uso.

Para estes milhares de consumidores, a prática de Redução de Riscos é um benefício bem como a Minimização de Danos eventualmente provocados pelo uso de derivados de canábis, a que se juntam ainda os que são provocados pelo uso simultâneo de tabaco. 

Qualquer pessoa que pense com conhecimento, percebe que a junção dos fumos produzidos na queima da mistura canábis+ tabaco, significa o aumento dos riscos e dos danos inerentes ao fumo de cada uma destes produtos.

Canábis  - RESINA / haxixe, pólen
Qualquer pessoa que pense com conhecimento, percebe que fumar resina de canãbis pode envolver riscos inerentes às substâncias que existem na resina (denominada de haxixe, pólen, bolota, etc, ). 

Quem está atento à realidade percebe que este produto, maioritáriamente importado, tem estado cada vez mais acessível em Portugal, seja no mercado de rua, seja com entrega ao domicílio.
Quem o consome, na verdade não conhece a composição real do que consome, dado que pode fácilmente ser adulterado com outros produtos.

Qualquer pessoa que pense com conhecimento, percebe que fumar erva de canábis, (denominada erva, maconha, paginha, soruma, boi, liamba,  marijuana) envolve menos riscos do que fumar resina de canábis/haxixe, pólen, bolota.

Acontece ainda que há consumidores que consomem, que fumam a erva sem a misturar com tabaco, o que significa não agravar ainda mais os riscos para saúde com os riscos do tabaco. Consomem erva e não consomem tabaco.
Mas o fumo de erva não é isento de riscos: a erva não é inocente. E cada vez mais há qualidades de erva que contêm muito maior concentração de produtos psicoactivos do que a erva dos anos sessenta. 

Canábis ERVA
Para a saúde do consumidor, pior do que fumar erva, é fumar erva+tabaco.
Pior que fumar erva de canábis é fumar resina de canábis /haxixe, pólen, bolota

Em Portugal têm-se tornado cada vez mais evidente que qualquer pessoa que deseje consumir canábis pode fazê-lo, nomeadamente resina/haxixe, pólen, bolota, chamon
Dois charros e uma ponta
Pode ir comprar à rua e até pode mandar vir para casa, desde que tenha os contactos, habituais entre consumidores de todas as idades, de estudantes a profissionais. 

Mais difícil é arranjar "erva", mas também se arranja.
Esta realidade claramente tem aumentado desde o ínicio deste século e não vale a pena negar, pena esconder: a oferta está banalizada.





Se queremos promover a EDUCAÇÃO para a SAÚDE
a estratégia e modelo da Prevenção realizada tem que ser revisitada

Prevenção
 sem Educação é "zero".
Prevenção sem Educação Cívica, quase nada vale.
Queremos que as pessoas sejam mais cultas.
A sociedade não está esclarecida
Há muita falta de Educação.

No meu último livro Politicas e Dependências,  defendo tal como outros colegas no estrangeiro e, porventura em Portugal alguns também haverá, que devemos considerar o benefício que possa existir na utilização de determinado tipo de substâncias que estão fora da lei.
E as leis mudam-se.

Quem compra resina (haxixe, pólen, bolota)

não sabe o que compra

Quem compra têm que frequentar meios indesejáveis e não sabe se compra produto adulterado. Mas se produzir em casa...

Se puder ter em casa uma alternativa numa perspectiva de redução de riscos...
Ponta de charro no jardim junto à escola
Perante a possibilidade de ter em casa uma planta, autocultivo para uso próprio, não para comércio, passaria a ser a Família, no caso dos menores, a assumir a responsabilidade sobre aquele comportamento de consumo, como assume ou deve assumir com o álcool e com o tabaco.



Ponta de charro no jardim junto à escola
Isto quer dizer que as Famílias têm que ser informadas. Têm esse direito, direito a não estarem ignorantes. Mas isso é o que nós queremos. 

Queremos que as pessoas saibam mais, que pensem e sejam mais cultas. Haja quem informe, quem ensine e com muito mais eficácia. 

Basta de ignorância.

Ponta de charro no jardim junto à escola
Quando as pessoas  estão informadas, fazem o que fazem com mais responsabilidade.

As pessoas têm que reconhecer os interditos e a sua necessidade.

Em termos de redução de riscos é diferente o uso de canábis erva do uso de canábis resina.



Há um desbaratamento de oferta
de substâncias em Portugal

ÁLCOOL
MAU USO E ABUSO DE 

A IGNORÂNCIA 

DE QUEM CONSOME E DE QUEM DISCURSA


Despudorada cobertura legal facilita precoce fidelização de consumidores




Em Portugal também tem sido desde há uma década uma realidade triste o aumento do abuso de bebidas com álcool, nomeadamente entre adolescentes. Este aumento é mais evidente desde o ínício deste século.

Esta é também uma evidência de falha na Prevenção Primária.

Mas se a Prevenção Primária não resultou ou não foi feita devidamente, tem sido um sucesso a promoção do consumo de álcool, nomeadamente entre jovens, e que resultou claramente.

ACESSO PRECOCE

Em Portugal foi POLITICAMENTE criada uma lei para LEGALIZAR a VENDA de bebidas fermentadas a cidadãos maiores de 16 ANOS.

Sabemos que neste país há quem fale de álcool e dos seus danos/doenças, como se fosse perito nesses assuntos. Quem assim faz exibe a vitrine e oculta o desconhecimento. Muitos destes, quando mudam de lugar, de função ou de tacho, abandonam o assunto.

Nesta terra de consumidores é vergonhosa a ignorância sobre o uso de bebidas com álcool e a relação com a saúde.

Por exemplo muitas gente bebe "à saúde" o que não dá saúde a ninguèm. Devem ser ensinados a saber beber e a beber "ao prazer", se por acaso têm prazer nesse consumo. Assim são mais verdadeiros.

Neste país também há pessoas que não podem consumir bebidas com álcool, pessoas que perderam a liberdade na relação que tinham com o álcool: criaram uma relação de dependência.

É preciso que se fale mais, muito mais sobre o álcool,
com mais competência, com melhor saber.

É o saber e trabalho clínico / experiência clínica de quem trabalha e informa, que credibiliza a informação que reforça a motivação.



COCAÌNA BASE na rua

A cocaína e a base/crack, uma realidade para muita gente

Também tem sido uma realidade o incremento do uso de cocaína.
A cocaína chamada de branca está em muitos sítios e nalguns é mais fácil comprar a cocaína cozida, chamada de base ou crack para fumar ou injectar do que comprar a branca para snifar.

E sabemos que o álcool misturado com cocaína piora a situação de saúde do consumidor, porque quando se mistura álcool com cocaína cria-se uma terceira substância, cocaetileno, muito mais agressiva.

Os consumidores de susbatâncias psicoactivas, legais e ilegais, dizem que há muita oferta de outras susbtâncias ilegais. E quem compra substâncias sintéticas de rua, md, mda, ácidos, speed, etc, não sabe com segurança o que compra.
Nem quem adquire pela internet.

Devíamos ser informados sobre a verdade do que é consumido, pelo menos os profissionais de saúde que trabalham no tratamento de consumidores que adoeceram por terem consumido.

Desde há muitos anos que apelamos para que as autoridades assumam uma atitude muito necessária e útil: informar sobre o que anda a ser consumido em determinada região. Em minha opinião este é um dever ético e estratégico.

Há locais de consumo
Em Portugal temos salas para consumir álcool, sitios para consumo de tabaco.
Em Portugal, ainda não há salas para consumir substâncias por via intra venosa, ainda que a lei de 2001 o permita.
Em muitos países europeus estas salas existem há muitos anos.
Em Portugal o consumo IV fez-se onde se pode, em qualquer sítio, sem garantia de cuidados de higiene.
Se nas prisões continua a não haver programas de troca de serinhas, isto acontece por incapacidades inaceitáveis.



Há muita PREVENÇÂO para fazer.
A melhoria passa pela Educação... passa pela Educação.
Pela Educação dos próprios profissionais de saúde.

Quem trabalha com os doentes, ouve, escute, interage com os doentes e com s seus familiares.

Muitos profissionais  vão à realidade dos consumidores que adoecem, conhecem os seus sítios.

Naturalmente que o que vêm pode incomodar e, também pode incomodar.o que transmitem, o que partilham, o que não silenciam.


E preciso falar, reconhecer a verdade toda enão limitar a verdade para conveniência dos poderes.


Os serviços de saúde que têm competência,
devem infomar os cidadãos sobre a situação em que estamos.

Importa actualizar o saber que a ciência nos faculta.

Os serviços responsáveis de saúde devem dizerclaramente, o que se passa em cada região, o que se passa no país.






terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

Canábis e demais substâncias em Portugal. Legal para a saúde e bem estar? Juridicamente legal? Deste presente para que futuro?

Canábis e demais substâncias em Portugal. 

Legal para a saúde e bem-estar?

Juridicamente aceite? 

Deste presente para que futuro?


 As respostas às transformações sociais que envolvem riscos para a saúde individual, familiar e comunitária, têm que mudar, por forma a procurar promover a qualidade da vida. 
Há que actualizar o saber, até para fazer face às contradições existentes numa sociedade consumista.

Os tempos mudam, as vontades mudam,
há hábitos sociais que mudam e ... a sociedade muda.

Evidências, não se podem negar

Considero uma vergonha o que (não) se tem passado em Portugal, perante o mau uso e abuso de substâncias psicoactivas.

Em muitos locais e em muitas áreas, estamos cada vez mais desactualizados em relação ao que de melhor pode ser feito em tratamento, em prevenção, em redução de riscos, do que de melhor deve ser feito para promover a saúde e bem-estar individual, familiar, comunitário, social, ambiental.

Visível e inegável em Portugal

Em muitas localidades, em inúmeros locais para socializar na diversão (diurna ou nocturna) o consumo na rua, em cena aberta, de substâncias psicoactivas ilegais ou legais, canábis (erva, haxixe), md e outras pastilhas, álcool, tabaco, cresceu imenso desde há uma dezena de anos e tornou-se uma vulgaridade.

E nas madrugadas, nessas áreas de consumo, não é raro ver na rua pessoas muito jovens,  prostrados, ou agitados, embriagados com álcool, com canábis, ou sob efeito de outras substâncias.

Em alguns ambientes escolares, do ensino médio e superior também se banalizaram alguns consumos de substâncias ilegais.

Jovens pré-adolescentes e adolescentes têm, em número crescente, engrossado o número destes consumidores.

Se estes jovens consumidores têm agora, em 2015, entre 12 e 20 anos, isso significa que frequentaram o ensino básico entre 2001 e 2012.

Será que a educação para a saúde e a educação para a cidadania robusteceu muitos destes consumidores?

Será que puderam beneficiar de programas de Prevenção?

Este consumo de rua, despudorado, crescente nomeadamente desde meados da primeira década deste século, só não o viu crescer quem não quis.

O aumento de consumidores jovens, a sua idade cada vez mais precoce na iniciação em consumos abusivos, pode significar que, para estes jovens a pedagogia para a Prevenção, se existiu, ainda não produziu os efeitos desejados.

Numa perspectiva estratégica de promoção de consumo, o facto de a iniciação ser feita cada vez mais em idades precoces, garante uma crescente fidelização de consumidores e o alargamento do mercado.

Urge rever as estratégias preventivas, se, como é desejável, se pretende a contrariar a iniciação no mau uso de substâncias psicoactivas ou, pelo menos procurar atrasá-la para a idade adulta.


Negável e existente em Portugal

Nem sempre é visível em cena aberta, o consumo de cocaína snifada, o consumo de outros estimulantes ilegais, e também de cocaína fumada, o consumo de heroína fumada ou o consumo intravenoso de heroína, cocaína, ou midazolam. 

Mas são realidades e que expressam, em muitos casos, comportamentos de automedicação. É deste modo que muitos consumidores dependentes, procuram aliviar temporariamente e a seu modo, o sofrimento que têm. 

Inegável e existente em Portugal

Em muitos locais de diversão e socialização nocturna, em muitos locais de socialização associada a espectáculos e outros eventos comerciais publicitados e integrados, ou assumidos como marginais, o consumo abusivo de substâncias pode ser bem visível.

Mas são muito menos visíveis as actividades de redução de riscos, que deveriam ser prática comum nestes contextos.

O consumo e o abuso na rua de álcool, de erva, de haxixe, de tabaco tornaram-se uma vulgaridade em muitas localidades, em inúmeros locais de socialização na diversão (diurna ou nocturna). 

A promoção do consumo está a resultar e a adquirir mais membros consumidores e jovens que lhes garantam a sua progressão. E, quem negoceia, naturalmente, ficará muito sati$feito. O circo do cerco continua.

Sugiro a leitura de posts de:
Nov 2010
A primeira notícia é que vale / vende. Uma emenda é um pequeno alívio.
Aqui deixo 2 exemplos ainda que eu não saiba se foram emendados.
Isso aconteceu em Portugal. Eles têm campanhas de saúde reais, dezenas de milhares de crianças andando de bicicleta por toda Lisboa, por exemplo, e as campanhas entraram na rede educacional.
Esta frase está atribuída a Glen Greenwald “jornalista e comentarista político, que escreveu um relatório sobre os oito anos de descriminalização em Portugal para o Instituto CATO dos Estados Unidos”.
E sobre Portugal escreve a revista Le Point
Le pays où la drogue est légale


O que é dito.
Toda a verdade ou, nem toda a verdade?

Há quem diga que a descriminalização mudou o panorama em Portugal.
Sejamos claros e recordemos que a lei anterior praticamente não era aplicada, nem no encarceramento nem nas alternativas que se podiam efectivar.

O esforço de muitos de nós profissionais de saúde foi, durante anos, dirigido para que houvesse mais respostas de tratamento e para que o consumo deixasse de punido como crime. E assim aconteceu.





Nem todos pensamos e vemos da mesma maneira,
nem nos mesmos momentos.

Políticas e Dependências

Deste meu livro (Nov 2014), transcrevo o seguinte texto:

Parece-me que os agentes políticos, cada cidadão, cada adulto com responsabilidades, interessados consumidores e não consumidores, deveriam pensar seriamente nos benefícios e nos inconvenientes em fazer retirar da alçada da lei a interdição do uso doméstico da planta da cannabis. Quem reconhece que a realidade da banalização da cannabis está numa dimensão crescente, pode...

A responsabilidade sobre a planta da cannabis tem vigorado do lado do Estado, dos cidadãos, das famílias. E tem sido enorme e crescente a realidade do consumo dos seus derivados, erva e resina. A situação existente resulta também do que de bem se tem feito, do que tem sido possível fazer, e do que não foi feito.

A banalização tende para mais comercialização e para o desejo de legalização da produção industrial e comercial que tenderá para mais consumismo. Naturalmente que o negócio quer sempre mais, vejam-se os níveis a que chegou o consumo de tabaco comercializado, legal e ilegal. Não sejamos ingénuos.

Com a regulamentação específica do culto pessoal e privado da sua produção pessoal, passaria para a esfera doméstica e para a responsabilidade familiar, um assunto que, prioritariamente tem estado nas mãos do Estado e dos seus dirigentes, dos contribuintes, consumidores ou não.

Com a regulamentação específica do culto pessoal e privado alivia-se a pressão social, e separam-se consumidores de mercados e produções. Seria uma resposta mais «humanizada», que poderia travar desejos para uma indesejável...


Boas leituras
Muito obrigado pela visita 
e eventual partilha.
Luís Duarte Baptista Patrício

segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

ASSÉDIO MORAL TRABALHO e SUBSTÂNCIAS

ASSÉDIO MORAL NO LOCAL de TRABALHO

e ABUSO de SUBSTÂNCIAS.


O TABACO em destaque

Por Luís Duarte Patrício

As condições para trabalhar, contribuem para atingir bons ou maus objectivos.  
Se o objectivo for descartar profissionais, haverá que criar condições e agentes que o façam.

É inegável a existência de comportamentos de chefias, mesmo medíocres, que promovem a destruição moral de profissionais que querem inutilizar, afastar.


Muitas vezes são chefias exercidas por pessoas narcísicas, perversas ou até medíocres que procuram assim subir na carreira, cumprindo ordens para agrado de outra chefia.

Estes comportamentos não são uma inovação, mas a crescente incidência desta forma de violência é uma realidade.

Em França a amplitude deste fenómeno social, até então negado por muitos, foi revelado no início deste século pela psiquiatra Drª Marie-France Hirigoyen. Os casos clínicos que acompanhou contribuíram para um profundo trabalho de reflexão nesta área. Em França os escândalos chocaram a sociedade, que também “consumiu” humanos, profissionais.

As reacções ansiosas e depressivas nos visados são difíceis de negar, esconder, disfarçar. A ideação suicida não é uma raridade, nem os respectivos comportamentos.

Também em Portugal, desde 2006, observei quer na prática clínica, quer como trabalhador, o crescente aumento de comportamentos deste calibre, no sector público e privado, mesmo na área da saúde.

Muitos outros portugueses terão certamente sido testemunhos ou vítimas de situações de assédio moral com procedimentos burocráticos, administrativos ou de outros, visando a “destruição” ou desvalorização de profissionais que era necessário e conveniente banir.

Esta realidade contínua crescente entre nós.

Cada trabalhador reage como pode. O consumo de substâncias psicoactivas, legais ou ilegais, é para muitos dos agredidos, uma forma de mitigar a permanência de largas horas do dia, num local de trabalho público ou privado, onde o incómodo ou a agressão é manifesta e a companhia indigesta.

Beatas na calçada
4 minutos de vídeo para ver e pensar

https://www.youtube.com/watch?v=AfK6Sc6KdWw

ou

https://www.youtube.com/user/psimedicina


O abuso do consumo de tabaco relacionado com o local de trabalho pode ser manifestação de diversas insuficiências e exigências, e pode revelar também a existência de incómodo sobre a dignidade de quem trabalha.


O abuso de tabaco relacionado com o local de trabalho pode ser uma expressão do sofrimento provocado nas pessoas atingidas na sua dignidade de trabalhador.
Seja por sobrecarga de trabalho, por más condições para trabalhar ou por sobrecarga emocional, a realidade é que, é evidente o abuso de consumo de tabaco, relacionado com profissionais no exercício das suas funções.

O uso do “poder e autoridade” para vexar o profissional, o assédio moral no local de trabalho, a humilhação do profissional pela hierarquia, “os chefes”, gera intensos sofrimentos e desgastes. Não se pode negar uma realidade quando existe, mas pode-se e deve-se mudar as chefias que têm necessidade ou prazer e competência em humilhar.

A cada uma a sua psicopatologia e se necessário o tratamento individualizado de quem precisa, para bem da saúde de quem trabalha, da saúde familiar, social, comunitária e ambiental.