quinta-feira, 31 de agosto de 2017

Mas.. E... Uso errado de MEDICAMENTOS Injectar comprimidos




Mas.. E... Uso errado de MEDICAMENTOS
também subsidiados pelo SNS
injectar  comprimidos na veia
Erro na dose e no local de uso

Muitos profissionais de Saúde que trabalham com pessoas doentes sabem que há consumidores que fazem mau uso de medicamentos. Fazem uso errado na dose e no local de absorção.
Nos anos 80 e início dos anos 90 este comportamento também existiu relacionado com o consumo injectado de alguns comprimidos, e foi então resolvido pelo Ministério da Saúde em relação a esses medicamentos que então foram objecto de mau uso. Mais tarde, outros medicamentos passaram a ser objecto de mau uso, quer por dificuldades no acesso ao tratamento,  quer por falta das necessárias respostas adequada dos serviços da Saúde: Prevenção - Educação e controlo dessa "oferta" para mau uso. Alguns "estão no activo". A situação de maus uso existe estabilizada de forma manifesta, ou em crescendo, desde há pelo menos 16 anos. Na falta de dinheiro para heroína, na falta de metadona, na falta de heroína consome-se o que se arranjar. E quem trabalha com consumidores sabe bem da existência dessa situação. Aos governantes que me ouviram nunca escondi essa situação.
Mesmo no último governo quem foi responsável por esta área foi informado e manifestou-se muito satisfeito com o trabalho da sua equipa.  Por aqui tudo na mesma, quero eu dizer, piorando.



Midazolam (Dormicum®) é um dos medicamentos mais referenciado como objecto de abuso.

A sua aquisição em farmácia está sujeita a receita médica obrigatória. Bem usado é um excelente medicamento nas indicações médicas e cirúrgicas adequadas ao BEM DA SAÚDE


MAS…

Mas pelos riscos inerentes à substância e nomeadamente pela sua capacidade aditiva não deve ser usado por pessoas em risco de dependência.

Mas, desde há muitos anos este medicamento é de fácil acesso, no mercado de rua da droga. Na verdade isto dura há muitos anos.





Mas este medicamento é muito mal usado por exemplo por doentes dependentes de heroína. Habitualmente os doentes consomem em sobredose, esmagam os comprimidos, misturam com soro ou água e injectam essa solução na veia, quando lhes falta heroína ou quando por exemplo é insuficiente a dose de metadona que tomam. Veja o vídeo: https://www.youtube.com/watch?v=ke_EkhL8yew



Mas com estes consumos são reais para o doentes os riscos de infecção, de embolia, de perturbação do pensamento e de paragem respiratória.


E…

E há médicos que conhecem doentes que têm estas práticas de consumo e de comportamentos de risco. Veja o vídeo:  https://www.youtube.com/watch?v=064_UgBbGAc

E há médicos que trataram algumas pessoas com sequelas físicas ou psíquicas  associadas a este tipo de consumos. Veja o vídeo:https://www.youtube.com/watch?v=afzXc2NJd64&t=15s

E há dirigentes que sabem há muitos anos que isto acontece.

E há dirigentes que sabem que do que terá ou não sido feito desde há muitos anos nada resultou com evidente eficácia na significativa redução da procura e acesso a estes medicamentos. Usam-se porque estão disponíveis para quem precisa.  O acesso de rua não foi anulado e tem de ser anulado, por razões de saúde.

E desde há muitos anos que venho partilhando e existência desta incompetente e inaceitável situação de mau uso, factos reais, com pessoas do poder, dirigentes na Saúde, governantes na Saúde e deputados da Nação. 

E até agora nada mudou.

MAS...


Mas se partilhar esta mensagem talvez “isto” mude seja por vergonha ou por ser assumida finalmente a responsabilidade.

A vergonha e os estragos de que sofre cada um destes doentes consumidores também são projectados sobre todos nós.

Obs: este medicamento mesmo no mau uso, é subsidiado pelo orçamento do Ministério da Saúde. Foi lamentável ouvir dizer que o “nosso orçamento (dos serviços da droga) no Ministério da Saúde são peanuts. Basta do mesmo. É preciso mudar e muito. 







domingo, 13 de agosto de 2017

DROGA de INSUCESSO DESMASCARADO. COCAÍNA

DROGA de INSUCESSO DESMASCARADO

Cada vez mais há quem não alinhe mais pela conveniência ou pela negação ou pelo disfarce da evidência, no aumento indisfarçável do consumo de Cocaína e não só   http://drogaparaquesaiba.blogspot.pt/2017/05/a-mesa-do-cafe-bica-com-cheiro-ou.html

Neste trabalho de Tânia Pereirinha Pereirinha  no Observador http://observador.pt/especiais/das-festas-de-sexo-hoje-a-francesa-charlotte-nos-primeiros-clubs-historias-de-100-anos-da-cocaina-em-portugal/ percebe-se como em Portugal é evidente a distância que tem existido entre a verdade da conveniência e a verdade da minha e nossa realidade, bastante diferente do sucesso que desde há vários governos continua a ser difundido pelos poderes.  

Tânia Pereirinha, jornalista, contactou-me e aceitou a minha sugestão de me acompanhar em mais uma visita ao terreno, sem maquilhagens, para perceber o que se passa e comparar com o que se diz que se passa. E aconteceu e publicou. Outros não publicaram.

Do trabalho de Tânia Pereirinha aqui destaco o que escreveu referindo-se à minha participação. Sou médico psiquiatra (não há em Portugal Especialidade , Sub-especialidade ou Competência em Adições ou Toxicodependência, mas há quem assim aceite ser “especialista”. 

O que tenho dito e escrito, tem por base o que estudo, o que vejo e o que oiço de doentes e de seus familiares, de consumidores e de colegas médicos e de outros profissionais que trabalham no terreno.


Das festas de sexo hoje, à francesa Charlotte nos primeiros clubs. Histórias de 100 anos da cocaína em Portugal
12 Agosto 2017429
Um século depois de ser introduzida em Portugal por uma francesa com olho para o negócio, a cocaína está uma vez mais a crescer. Vê-se nas festas, discotecas, nos cafés, nas ruas e até na água.
  1. 1859 – 1917. Remédio para as dores, histeria, sífilis e até azia
  2. 1917 – 1927. Charlotte, a primeira traficante
  3. 1980 – 1999. “Olha a branquinha da boa!”
  4. 2005 – 2017. Prostituição e “telecoca”
Pouco passa das 10h00 de uma segunda-feira de fim de julho. Na zona das Olaias, em Lisboa, na garagem de um prédio de habitação social cujo portão foi arrancado ninguém sabe dizer por quem nem quando, rodeados de lixo, garrafas vazias, caricas, seringas usadas, embalagens de preservativos intactas e sacos plásticos verdes, “Kit Prevenção SIDA”, dois homens e duas mulheres vão conversando enquanto preparam as primeiras doses do dia.
Sentados em sofás dispostos em L, que arrastaram do lixo para ali, têm mais conforto do que os outros toxicodependentes que consomem em barracas feitas de pneus, madeira e pedaços de lona ali mesmo atrás, nos baldios do Vale de Chelas, com vista para o cemitério do Alto de São João; pelo menos a droga não voa com o vento. Mas também sabem que não hão-de poder resguardar-se ali durante muito tempo: “Esta semana vêm aí arranjar isto e vamos ter de sair”, dizem, enquanto lamentam a inexistência das salas de consumo assistido de droga que, apesar de previstas na lei portuguesa desde 2001, não saíram ainda do papel.
No sofá mais próximo da porta, os homens — um português, na casa dos 40 anos, e um alemão, consideravelmente mais novo –, esticam as pratas onde vão depositar a heroína que dentro de instantes estarão a fumar, com recurso a tubos artesanais, também prateados: “Desculpem estarmos a fazer isto à vossa frente”, diz o português, de modos e discurso educados.
Encolhida no outro sofá, uma das mulheres prepara, em cima de um livro de capa dura e com uma pequena espátula, as pedras de crack que vai fumar, num cachimbo improvisado, com uma seringa partida a servir de boquilha. É um processo rápido, basta o tempo da explicação — “Isto é base, é cocaína cozida. A crua, que é a cocaína em pó, serve para cheirar ou chutar, esta serve para fumar” — e o cachimbo está pronto a acender. Vai fumando, como a outra mulher, dois anos mais nova, mas diz que também se injeta, cocaína e heroína, o que houver. Tem 42 anos e seis filhos, quase todos já crescidos, os menores “estão sinalizados pela Segurança Social”. De rajada, conta que consome desde a adolescência, que já traficou, diz que chegou a estar detida durante três anos no Equador, numa prisão sobrelotada e violenta onde dormia com um olho aberto e de onde só saiu graças a um indulto papal. Tenta a sorte: “Se vocês pagassem fazíamos aí uma entrevista como deve ser, podiam filmar e tudo, desde que não aparecesse a minha cara. Já vieram aí jornalistas que pagaram…”. Depois, como não há dinheiro, concentra-se no cachimbo.
http://img.obsnocookie.com/s=w800,pd1/o=80/http:/s3cdn.observador.pt/wp-content/uploads/2017/07/25113247/img_2685.jpg
O crack (ou base ou free base) é mais barato do que a cocaína em pó
“Estas são só as pessoas mais degradadas”, explica à saída da garagem o psiquiatra Luís Patrício, especialista em patologias aditivas, fundador e diretor do Centro das Taipas até 2008, cicerone do Observador por uma manhã, passada entre Olaias, Lumiar e ex-Casal Ventoso.
O que significa que há outras: em pleno 2017, a cocaína é uma droga verdadeiramente democrática. Há os que encomendam pelo telefone e consomem em casa, em festas regadas a champanhe; os que usam nas discotecas; e estes, que se escondem nos bairros mais degradados, explica. Todos juntos fizeram disparar as estatísticas dos últimos anos, diz o Observatório Europeu da Droga e da Toxicodependência, que põe a cocaína no segundo lugar do pódio das drogas mais experimentadas em Portugal (a canábis continua em primeiro), e dizem também os especialistas ouvidos pelo Observador.
“A meio da década de 80 começam a aparecer doentes que referem estar a consumir cocaína. Gradualmente torna-se bastante comum o consumo de heroína e de cocaína. Na maioria são consumidores que injectam cocaína associada a heroína — o speedball –, mas aumenta também o uso de cocaína snifada. No início dos anos 90, recordo-me de um doente na periferia norte de Lisboa contar que fumava uma pedra que desconhecia e que agarrava muito. Tratava-se de cocaína cozida, ou free base, cujo consumo se banalizou depois no século XXI, porque baixou o preço e aumentou imenso a oferta em locais e agentes de distribuição”, explica o psiquiatra Luís Patrício.

“Existiram outros bairros bem conhecidos, recordo que os doentes diziam que iam à Venda Nova, a Camarate. Foi muito conhecido, perto do aeroporto, o Bairro do Relógio, mais longe recordo as Marianas, em Carcavelos, e o Fim do Mundo, em Cascais. Mais para o centro de Lisboa recordo outros bairros citados pelos doentes: o Casal do Pinto, a Curraleira e, ainda mais central, a zona de São Bento, onde os doentes encontravam cocaína. Houve quem por lá ficasse fechado em algum lugar, dias seguidos a consumir cocaína. Para algumas pessoas essa frequência, a falta de cuidados e de estratégias e utensílios de prevenção esteve na origem da contaminação por doenças infeciosas, muito piorada com a chegada do VIH, situação que para algumas pessoas foi catastrófica”, explica Luís Patrício.

2005 – 2017. Prostituição e “telecoca”
Se nos anos 90 o consumo de cocaína aumentou muito, na década seguinte explodiu, sobretudo a partir de 2005 e entre a população mais jovem, quase sempre associada também ao abuso de álcool e de canábis, diz o psiquiatra Luís Patrício: “Com este crescimento da cocaína, instituiu-se outro hábito, misturar cocaína com álcool, o que faz com que o próprio fígado produza uma substância, chamada cocaetileno ou cocaetanol, que é ela própria outra droga. Ou seja, a pessoa consome duas e fica com três. Os estragos são maiores e o tratamento é mais difícil. Mas é um assunto que não é falado, é como se estivesse tudo bem”.
Nos anos a seguir à descriminalização que fez de Portugal um caso de sucesso em todo o mundo no que ao consumo de drogas diz respeito (foi no dia 1 de julho de 2001, sete meses depois de ser promulgada, que a lei entrou em vigor), a cocaína democratizou-se ainda mais.

Por um lado, garante o especialista, nunca foi tão fácil de encontrá-la: “Os meus clientes dizem que, por telefone, encomendam tudo o que é preciso, como se encomenda uma pizza”. Por outro, nunca o consumo foi tão tolerado: “Convém a todos. Já tive o dono de um bar a dizer-me que costumava vender uma média de x euros por noite e que, a partir do momento em que decidiu fechar os olhos ao que se passa na casa de banho, passou a vender três vezes mais”.

Um grama de cocaína pode custar hoje entre 30 e 50 euros. Se há quem consuma quando sai à noite ou quando o Benfica é campeão, como os amigos de uma paciente de Luís Patrício, que snifaram riscos no ecrã de um telemóvel, à mesa de um café de Lisboa, enquanto outros comiam caracóis e bebiam imperiais; também há quem se escape do trabalho à hora de almoço para comprar, numa média de duas vezes por semana (ou “quando há dinheiro”), como o homem de 43 anos que encontramos nas traseiras da Rua Maria Pia, entre as novas hortas construídas pelos moradores e as velhas salas de chuto improvisadas pelos toxicodependentes.
De calças de ganga e camisa branca às riscas azuis não dá sinais do estigma de que fala Luís Patrício e que distingue grande parte dos adictos que frequentam estas zonas mais degradadas — nem magreza extrema, nem dentição incompleta, nem marcas de picadas na pele. “Agora estou a trabalhar na construção, ando só na branca, não dou no cavalo”, explica, garantindo logo depois que está perfeitamente funcional e apto para voltar ao emprego. “Antes ainda vou ali tratar de uma multa que apanhei, por andar de mota sem carta”.
“Acompanho quatro meninas, todas mais ou menos da mesma idade, 20 e poucos anos, que se prostituem ou prostituíram desde o final da adolescência. Nos anos 90 era raro mas de vez em quando ouviam-se as histórias do jovem yuppie que consumia coca e comprava uma noite com uma mulher que também queria consumir. Agora isso é banal”
Luís Patrício, psiquiatra, especialista em patologias aditivas
“Enquanto for assim, enquanto andarem só a brincar, conseguem manter as vidas normais. O problema é quando deixam de conseguir, a cocaína snifada tem um grau de aditividade, fumada tem outro maior, injetada ainda mais. Tem um efeito tão rápido que quando falta a pessoa entra num sofrimento que não se aguenta e tem de ir buscar mais”, considera Luís Patrício, que garante acompanhar vários pacientes, endinheirados, que em vez de 1 ou 2 pacotes de um grama de cada vez estão habituados a comprar ovos de cocaína. “São 20 gramas, a 30 euros cada, é fazer as contas… E depois há as festas e os grandes eventos de música e de deporto: é muito mais comum do que as pessoas pensam, há sempre cocaína. Ainda há um par de anos um paciente meu, um homem bem colocado no mundo do desporto, abdicou de ir a uma grande festa num estádio por causa disso: ‘Se for vou-me rebentar todo com a coca e o álcool’.”
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O psiquiatra Luís Patrício visita regularmente os locais de consumo de drogas na zona de Lisboa
A outra tendência que o psiquiatra tem vindo a registar é ainda mais preocupante e prende-se com o consumo associado ao sexo — ou do sexo como meio de possibilitar o consumo. “Acompanho quatro meninas, todas mais ou menos da mesma idade, 20 e poucos anos, que se prostituem ou prostituíram desde o final da adolescência. Nos anos 90 era raro mas de vez em quando ouviam-se as histórias do jovem yuppie que consumia coca e comprava uma noite com uma mulher que também queria consumir. Agora isso é banal”, garante o psiquiatra.
Tal como aponta para um canto agora deserto nas traseiras da Maria Pia, junto ao graffito de um cão que engole um homem — “Da última vez que aqui estive vi ali dois indivíduos a terem relações sexuais em troca de cocaína” –, também conta, parco em detalhes, a história da “menina dita normal”, filha de pais divorciados, que está prestes a completar 18 anos, começou a fumar charros aos 12, apanha bebedeiras frequentes desde os 14, e aos 16 experimentou pela primeira vez cocaína.
“Há dois anos, esteve com três homens, um deles muito conhecido aí na praça, num hotel de luxo de Lisboa. Hoje em dia, na Internet encontra-se tudo, é muito fácil. A quantidade de gente que está a consumir cocaína nunca mais acaba. E isso quer dizer que a prevenção falhou.”
Curiosamente há 1 ano publiquei este vídeo. Mala Da Prevenção Dr Luís Patrício
PORTUGAL E AS DROGAS – 1- Salões de consumos
Quem fala mais verdades sobre drogas? Doentes ou dirigentes?
Nem sempre e nem todos os doentes mentem.
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Quem quiser ler na totalidade o artigo da Jornalista Tânia


sábado, 20 de maio de 2017

À mesa do café - Bica com cheiro ou Cheiro de branca (cocaína) ?

AGRADECIMENTO
Muito obrigado a quem nos visita.
30 005 é o nº hoje registado no Histórico total de visualizações do blog http://maladaprevencao.blogspot.pt/
27 660 é o nº hoje registado no Histórico total de visualizações do blog
Blog para ultrapassar muros de silêncio
Blog para partilhar de forma diferente o que vemos, ouvimos e lemos e não podemos ignorar.


À mesa do café
Bica com cheiro

ou

Cheiro de branca (cocaína) ?


Neste século fui conhecendo gradualmente resultados do consumo de cocaína em discotecas, bares, locais de trabalho, concertos e festivais grandes e pequenos, estádios de futebol, casas particulares, restaurantes…

Em Maio de 2017, pela primeira vez ouvi a descrição do cheirar à mesa de um café de bairro, familiar, semelhante a tantos outros que existem por toda a parte.

Era momento de grande celebração e tudo normal, tudo na boa..




Consumidor de 15 anos. Sms e recebia erva no domicilio
A cocaína snifada por jovens está a chegar ao patamar da mesa do café.

Dizem os consumidores jovens e menos jovens que a canábis é fumada em toda a parte.

Nenhuma destas substâncias, nem qualquer substância sintética de consumo dito recreativo, tem qualquer garantia de qualidade. 


Ninguém é informado sobre a composição das substâncias
E todos devíamos saber

A situação que temos com o indesmentível abuso de álcool neste século evidencia os anos de incompetência e faltas na saúde em Prevenção.

Mas alguém manda aconselhar beber com moderação, sem ter coragem ou saber para dizer o que isso é.



18 anos de Prevenção?

Quem tem agora 18 anos como a jovem que descreve os festejos do tetra, que beneficio tirou do que foi feito nestes 18 anos? Álcool desde os 12, canabis regular desde os 14 e  bebedeiras frequentes. E agora os cheiros a criarem o "medo do descontrolo", razão para pedir ajuda. E nos ambientes que ainda frequenta pela cidade, não está nada sozinha. Tem que escolher bem para onde ir.

Quem fez? O que fez? Com que meios e para que fins?
A autoria não será de quem trabalha com o que tem e com o que sabe.

A explicação e responsabilidade está por cima e a meio.
Não se pode fazer mais do que se sabe.

Comentando eu o que se fazia ou não em Prevenção fui interpelado por um psicólogo que trabalha “na droga” no Ministério da Saúde: Prevenção quê? Qual prevenção?
Mas ouvimos dizer que há quem se sinta muito satisfeito e cómodo com a (sua) situação. Acontece...

É preciso mudar o que deu nisto, tudo.

É preciso defender toda a autenticidade em Prevenção, Tratamento e Recuperação e promover mais e mais competência.
Muita mudança tem de acontecer.
A mudança de políticas tem que acontecer.




segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

Politicamente INCORRECTO? Não é droga o que aqui escrevo!

Politicamente INCORRECTO?
Não é droga o que aqui escrevo! 
Um profissional de saúde é uma mais valia numa comunidade.
Um profissional que é médico serve os seus doentes e suas famílias.
As politicas de saúde devem ser construídas para servir os cidadãos.

Quem melhor sabe o que se passa num local são as pessoas que lá vivem.

Os comportamentos de risco aditivo devem ter respostas a nível local: em casa, na escola, na comunidade local.

O CENTRO DE SAÚDE do SNS intervém na Prevenção das Doenças, no Tratamento e acompanhamento de todos os Doentes, na sua Recuperação.


O Centro de Saúde tem a mais valia da relação do doente com o seu Médico de Família, com a Equipa interdisciplinar, permite o melhor conhecimento do doente e a melhor aplicação de recursos, é uma mais valia para vencer a droga dos estigmas. 

Também é responsabilidade do Centro de Saúde o tratamento de doentes com PATOLOGIA ADITIVA, PATOLOGIA DUAL, DEPENDÊNCIAS. 

No Centro de Saúde é natural que haja articulação com Psiquiatria e Saúde Mental e outros Serviços Médicos.

Acabaram-se as razões lógicas para existirem organismos de saúde paralelos para a lepra, tuberculose, sida, sífilis, álcool, droga, jogo, tabaco. heroína,etc. O Centro de Saúde está em todos os concelhos e muitas freguesias de todo o país e apoia todos os doentes. Importa homenagear os Profissionais dos Centros de Saúde, reforçar e actualizar as competências nos Centros de Saúde de Portugal. 
Se partilhar este texto ajuda a que esta mensagem chegue ao conhecimento e consciência de políticos que se interessem pelo que sofrem os doentes e famílias, pelo que dizem muitos profissionais que deles cuidam, que se interessem pela gestão dos recursos e melhoria da qualidade, pelo fim de regalias dirigentes e de desperdícios quer financeiros quer de recursos humanos.
Continuar silenciado ou no "politicamente correcto" é uma atitude que reforça estigmas e mantém a droga dos pequenos e grandes interesses de uma minoria.
Tem de haver melhoria… Pela nossa Saúde basta de clivagens.

PS: Apelamos a que a Direcção Geral da Saúde assuma todas as responsabilidades na Saúde.
Contrariamente ao que se pensa, na verdade em Portugal não há médicos especialistas em drogas. Nem há a especialidade nem a competência. Há muitos médicos dedicados aos seus doentes e alguns muitíssimo dedicados.

domingo, 5 de fevereiro de 2017

ABUSOS, ESCRAVATURAS & IMPACTOS Dependência de substâncias e actividades sexuais




ABUSOS, ESCRAVATURAS & IMPACTOS

Abuso e dependência de substâncias e actividades sexuais com riscos acrescidos

FRANCISCA, a FLOR
A cor da pele, da vida e dos consumos

Vídeo enviado ao Simposium Internacional

ESCRAVATURA
Qual o seu impacto na psicologia das populações?
Presidente
Prof Doutor Charles Nicolas

Martinique Guadelupe Outubro 2016

Homenagem aos que sofrem, aos que nos ajudam a melhor ajudar 

A jornalista Raquel Lito, interessou-se pelo esforço de Francisca e pela boa evolução do tratamento e, publicou o seu trabalho na revista Sábado.
Com o seu acordo, publico parte das respostas às questões que me colocou, a propósito do trabalho com pessoas com comportamentos de risco, associando abuso de substâncias e actividades sexuais.

RL - Como teve conhecimento deste caso-limite?
LP- Há muitos anos que ajudo pessoas que vivem condições de exclusão. Se um doente que ajudamos se sente bem e fala, outros aparecem. É normal tratar pessoas com comportamentos de risco associando consumo de substâncias droga e actividades sexuais. 
Tive oportunidade de ajudar a criar novas formas de intervenção na exclusão. Esta actividade de ajuda aumentou bastante, desde 1987 com a criação do Centro das Taipas no centro de Lisboa. Muitas das nossas doentes prostituíam-se na área, da Avenida da Liberdade ao Bairro Alto e em outras zonas da cidade.
E, em 2001, fizemos em Lisboa um significativo aumento de intervenção, com o programa na rua para redução de riscos, seis noites por semana, a Rota da Noite. Funcionou, desde o Técnico ao Restelo, para apoio a mulheres e rapazes que se prostituíam.
Ambos os casos são passado, do qual muito me honro. E destaco aqui o empenho de muitos colaboradores que ainda hoje nos estimam, monitores, técnicos psicossociais e assistentes sociais.
Há que lembrar que nesse tempo, apenas havia uma carrinha do Ministério da Saúde que intervinha à noite, apenas um dia por semana.

Sair das Taipas e continuar a ajudar

Fumar cocaína na rua em Lisboa. Foto LP
Em 2008 decidi deixar as responsabilidades de direcção do Centro das Taipas, por sentir crescente e indisfarçável desconsideração, criação de dificuldades (vulgo assédio moral), por quem mandava, orientava as estratégias e politicas. Negar a perda de qualidade e fazer de conta, garante lugares mas prejudica os doentes, condição que não aceitei. Mas logo escrevi a pedir para lá continuar a trabalhar como médico voluntário. Esperei largos, largos muitos meses até que fui autorizado a trabalhar voluntariamente. E trabalhei até que na consulta da semana a seguir ao Natal (2011), fui avisado por uma técnica que na semana seguinte, após o fim de ano acabava o meu voluntariado. Claro que não pude despedir-me de todos os doentes da instituição que ajudei a criar e dirigi por 21 anos. Mas alguns doentes, dos mais carenciados e que confiavam em mim, continuaram a receber os meus cuidados. Claro que não pude oferecer o meu trabalho a muitos, mas isso aconteceu e continua a acontecer, o que é natural na vida de um médico.

Continuar a ajudar

Lisboa. Para além das nuvens carregadas há azul - Foto LP
Posteriormente, por convite da Dr.ª Inês Fontinha aumentei a colaboração com O Ninho, http://www.oninho.pt/ ainda no âmbito do apoio a mulheres prostituídas, colaboração voluntária que mantenho.
Como em outras áreas da Medicina, uma pessoa doente que se sente ajudada mobiliza outra.
Nos últimos seis anos destaco o apoio a pessoas dependentes que se prostituíam: três raparigas bastante jovens, duas mães e duas avós.
A Francisca ou Maria foi-me referenciada há cerca de dois anos por outra senhora que já trato desde há seis anos, e que me pediu para continuar comigo depois de eu sair das Taipas. Ambas compravam na rua medicamentos para aliviar o seu sofrimento. Ambas iniciaram o tratamento comigo.
A confiança vai-se estabelecendo. É comum assim acontecer em pessoas mais castigadas pelas vidas esforçadas.

RL - Tendo o Dr. acompanhado mais mulheres com perfil idêntico, o comportamento de Maria é expectável?  
LP- Lutar pela vida desde a infância, mudar significativamente de referências, deixa marcas. E em certas áreas psíquicas modifica o que seria desejável: a harmonia no desenvolvimento.
A subsistência conquista-se no dia-a-dia. Se o consumo de substâncias psicoactivas (legais ou ilegais) pode ser um “escape”, espécie de alívio para sofrimentos, a dependência que se instala é um calvário acrescido na vida destas mulheres, jovens, mães ou avós.
Naturalmente que eu e muitos outros colegas meus já ajudámos muitas pessoas a mudar de vida. As pessoas procuram tratamento para melhorar dos seus sofrimentos, melhorar a qualidade de vida.
Parque Eduardo  VII em Lisboa. Pela cidade há outros labirintos bem mais difíceis de percorrer. Foto LP.
Naturalmente que a Prevenção de Comportamentos de Risco, a Redução de Riscos associados a múltiplos comportamentos de risco, foram temas obrigatoriamente em reflexão durante o tratamento e recuperação. 
Consultas de inicio semanalmente, depois quinzenalmente. Contacto telefónico disponível
Evolução foi sendo desde início e progressivamente muito favorável.
Trata-se de um processo de elaboração. Há sempre quem faça projectos de mudança: para um dia, para o mês que vem, para o ano que vem. E acontece.
A esperança mobiliza, os receios podem estimular a prudência e o desejo de mudança.
Nas doenças de adição a recidiva é uma possibilidade. Se acontecer que seja daqui a 50 anos… Se for antes, cá estaremos para ajudar de novo a caminhar.
Outono em Lisboa. Foto LP


RL- Como descreve o seu estado de espírito na última consulta?
LP- Entusiasmada. Manifestou muita gratidão estima e emoção. “Agora sinto-me muito bem, graças a Deus conheci o sr dr, comecei a ver… Esta vida não pode ser para mim. Nestas vidas uma pessoa não pensa, anda fora. Agora digo estou bem, tenho que lutar pela minha vida, não sou velha, tenho que lutar sim…… Muito obrigado” (sorri, aperto de mão, baixa os olhos e deixa cair uma lágrima).





Em síntese
Exercer medicina, prestar serviço é um privilégio.
Medicina é Ciência, Arte e Humanismo. Educação para a Saúde e Bem-estar são conquistas que deviam estar ao alcance de todos os cidadãos. Todos somos iguais, mas gerimos o que temos de forma diferente. Há quem tenha pouco ou nada, quem desperdice, quem seja mais bafejado e ainda quem valorize a Família e Amigos. 
São muitos os médicos que, pelo país, exercem medicina em benefício de quem deles necessita oferecendo o seu trabalho para além do seu horário e também cuidando de quem viva na exclusão (miséria, pobreza e pobreza envergonhada).

Em Portugal - O que falta fazer

+++Copos & Noite. Tá-se bem Foto LP. 
RL- O que falta fazer no apoio a toxicodependentes nestas circunstâncias?
LP - Há muito a fazer, nomeadamente anular um desinvestimento e melhorar muito a qualidade e condições de trabalho.
Em Portugal desde há 12 anos, em minha opinião, vimos a retroceder bastante no apoio e recuperação de pessoas doentes nestas circunstâncias e noutras.
A falta de satisfação de quem trabalha com doentes com patologia aditiva e doenças associadas, patologia dual, tem sido uma realidade crescente, ainda que haja quem tente esconder ou atirar a responsabilidade para outros. Não haverá dirigentes instalados e em silêncio? Quem se cala não incomoda.
Escadas de chuto. Lisboa. Foto LP
Mas há muitos profissionais que estão insatisfeitos desde há muitos anos. Em Portugal muitos estão desmotivados. E de há muito que há quem receie falar, com medo de que uma mudança ainda piore a sua situação.
Há ainda quem trabalhe muito, bastante mais do que devia e há também os que falam mas não fazem muito…ou não estão lá.

São os doentes e os profissionais do terreno quem melhor reconhece como que foram e como têm decaído serviços públicos e ong que outrora ajudaram muitas pessoas doentes, familiares e profissionais em formação.

Charro sempre que se queira. Qualidade? Importa? Foto LP 
Nos Centros de Saúde das ARS, a integração das equipas de tratamento de patologias aditivas deveria ser muito melhorada, reforçada com muito mais profissionais e médicos com competências. Este modelo de proximidade é muito útil para os doentes. E a existência de boas integrações em zonas diferentes como por exemplo em unidades do Alentejo ou do Norte, são prova da utilidade na integração.
Os serviços de psiquiatria e saúde mental, felizmente, cada vez mais estão a assumir as suas responsabilidades no tratamento de doentes com patologia dual.

Os Centros de Saúde, com todas as suas valências são a estrutura base de maior proximidade de acesso e tratamento. A ligação, a inter-acção com os serviços de saúde mental é obrigatória. Que apoio têm tido estas estruturas?
Quem é que está muito satisfeito?

Recriar em Portugal, em 2017 um serviço rede vertical para a droga / patologias aditivas seria reforçar o estigma, recriar lugares protegidos, não seria cuidar melhor da saúde dos doentes: muitos doentes são policonsumidores e têm outras patologias associadas. Quem tem todas essas competências? Voltamos ao jogo do empurra para lá porque não é daqui?
Em Portugal, pertencem à história os serviços estigmatizantes para a lepra, tuberculose, droga, doenças venéreas, dispensários de saúde mental. Hoje as respostas estão integradas nos serviços.

E em estruturas não-governamentais quem é que garante a qualidade de serviços publicitados? E são todos prestados?

Há que ter coragem para realçar as necessidades dos doentes e de suas famílias em troca de outros interesses de outros "actores sociais". Recordo que em Portugal não há especialidade de Medicina das Adições. Não raramente são contratados profissionais como se fossem peritos que não têm nada de peritagem, não são especialistas em abuso de álcool, cocaína, heroína, álcool, tabaco, vários medicamentos de abuso, canábis, sintéticas legais e ilegais, dependências sem substância, etc, e toda a patologia dual, psicopatologia e patologia infecciosa associadas.
Comprar na rua. Injectar na rua. Lisboa. Foto LP
 Há muito a mudar em Portugal, para melhorar a qualidade e estratégias de saúde. Basta do mesmo, de muitos anos de recuo para não repetir.

Há que conhecer toda a verdade, até nas prescrições de medicamentos subsidiados e que abastecem o mercado de rua e ir para além da simpática verdade da conveniência.

A mudança para melhor têm que acontecer.