O DESVALOR ou FARSA da LIBERDADE sem RESPONSABILIDADE
Por Luis Duarte Patrício
Pelos interesses que envolve, pelos interesses que desencadeia e apesar dos danos que provoca na saúde, (e talvez também por isso), o consumismo de substâncias faz parte dos meios que permitem a alguns “beneficiários”, atingir os seus objectivos.
De entre estes objectivos destacam-se, e são motivo de preocupação nomeadamente pelos que não aderem à “moda”, os que fragilizam o Homem e assim fragilizam também a organização familiar e comunitária, a comunidade.
A existência de fragilidades humanas e sociais, o sofrimento, a pobreza e até a miséria de outros, é para alguns homens a possibilidade de criarem ou recriarem poder. Alguns criam a autoridade autoritária, nomeadamente quando não têm o conteúdo e a honra do saber.
Estando nessa condição de falsa força, que de facto evidencia a sua fragilidade, manipulam e usam algum poder, seja com a sua palavra, seja utilizando o medo que a droga desencadeia.
A promoção de atitudes consumistas…
A promoção das contemporâneas atitudes consumistas como sendo um valor, já fez muito caminho e deixou rasto bem visível. Recriou-se na sociedade a moda dos abusos, das atitudes do excesso do consumo.
E há que reconhecer que surgem em certos ambientes, de entre outros abusos, a moda e o culto do desprezo por alguns valores, inclusive pelo valor da saúde, física, psíquica e social.
Aprende-se com os outros ou é-se sempre original?
Em muitas nações, na Europa e também em Portugal, o chamado “fenómenos da droga”, surgiu como uma oportunidade muito apelativa, um caminho a fazer com deslumbramento, nomeadamente por quem não tem conhecimento ou para quem tem carências na educação.
Os consumidores de substâncias foram descobrindo novas formas de uso e foram ensinando essa forma deslumbrada de ver ou de não ver o Mundo.
Os cuidadores, os que procuram controlar a oferta e reduzir a procura, foram aprendendo, foram-se “formando” e diplomando, recorrendo à experiência, ao empirismo ou ao saber que as ciências podem facultar.
Na Europa Ocidental, após os anos sessenta do século passado, surgiu um período de intensa actividade de estudo, de militância, de intercâmbios e de avanços na compreensão e tratamento das dependências patológicas.
E no final do século, após esse período expansivo mas incompleto, foi diminuindo o nível da exigência que poderia ajudar a construir um futuro com mais condições para o bem-estar do Homem.
Quando há menos exigência na qualidade, cria-se espaço para aumentar o facilitismo. E assim sendo tolera-se tudo, ou quase tudo, porque o vazio não perdoa.
Quase no final da passada década de noventa, disse-me um colega que na sua terra (Escócia), se tornava evidente que havia jovens que decidiam onde militar politicamente, não de acordo com nobres razões ideológicas, mas sim por razões pragmáticas, calculando qual o partido politico que iria gerir o poder no prazo de 10 anos.
O vazio não se tolera nem se aceita, pelo que tem que ser substituído por algo que estando lá colocado ocupe esse espaço. E se não houver selecção nem cuidado, o que vai ocupar esse espaço pode não ser a melhor solução para a situação, nem o que era necessário para melhorar a situação.
Para preencher algum vazio, numa sociedade consumista há quem coloque/utilize substâncias ilegais ou legais.
Necessário ou conveniente?
Muitas vezes, de facto assim tem acontecido pelo Mundo e mesmo na Europa, no chamado mundo da droga, e até no mundo da chamada prevenção da droga, e mesmo até na gestão da causa técnica ou pública.
Ainda há Estados onde a educação para a prevenção do consumismo e para a defesa do meio ambiente, estão fora do alcance das responsabilidades dos intervenientes e dos decisores em educação e saúde.
Boa parte da responsabilidade pela criação dessa situação, empobrecida e empobrecedora, terá que ser dirigida para a anterior geração que não teve, ou a sorte ou o saber ou a capacidade de educar a geração seguinte, e assim sucessivamente.
Por exemplo, em muitos países da Europa e fora da Europa, houve pessoas que não tendo formação/instrução, ou que tendo uma instrução de facto medíocre para as necessidades, foram colocadas em actividades para as quais nunca tiveram competência ou para as quais ainda não tinham competência. E armadas de poder (transitório) julgam-se erradamente competentes pelo saber (em construção contínua).
Quem comete a falta de propor pessoas dessas tem um comportamento insuficiente. E medíocre é a atitude da pessoa que aceita.
Uma incompetente aceitação dessas funções significa que a pessoa tem ambição. Mas a ambição pode ser também uma atitude de pessoas com comportamentos medíocres.
Para muitas destas pessoas de ambição, que porventura não receberam educação para a cidadania, a democracia parece ter como risco o usufruto da liberdade sem o indispensável uso da responsabilidade.
Com o que a vida já nos ensinou nesta Europa a envelhecer, podemos dizer que algumas dessas pessoas tornaram-se capatazes sem saber nem responsabilidade, ditadores na sua efémera gestão da quintarola do poder, mandões no que não produziram e que é pertença da comunidade. Outros tornaram-se bobos da sociedade onde a farsa se desenrola. E outros tornaram-se burlões.
E nas fases ou épocas de festança (festa ruidosa), mesmo daquela que é feita por conta dos resultados positivos resultantes do esforço de outros, ou da festança (festa ruidosa) que é feita por conta de empréstimos e calotes que se acumulam, gastam o que se não produziram.
Há quem na falta da riqueza de conteúdo e de forma, e até mesmo de abundância material ou de dignidade pessoal, e por aspectos da sua personalidade entre na roda-viva para tentar promover o esfacelamento moral de quem lhe parecer saber mais, ou ter mais capacidade.
É uma atitude de farsa essa atitude de roda-viva de fazer de conta que se é abastado, como se nessa matéria fosse conhecedor examinado, bem avaliado e perito aprovado.
Para defesa da honra e promoção da saúde mental temos que evitar estes riscos.
Há que estar atento para poder rejeitar a eventual tentação de ser farsante, seja em nossa casa, seja na Europa, seja em outra região do Mundo.
Sejamos claros e aprendamos com o que nos ensina o dicionário: um farsante é um aldrabão.
Sejamos claros: contrariamente a todas as dependências patológicas, a liberdade é um bem, e é vantajoso que, como bem que é, a liberdade seja gerida com responsabilidade.
A seguir:
A vergonha de trabalhar ou a honra em trabalhar
